quinta-feira, 29 de setembro de 2016

the lonely seagull


Nas costas litorais, só um naufrago pode olhar para a imensidão do oceano e sentir medo, pela solidão que o deixa vazio, a cada dia e cada momento, em que a areia, é inevitavelmente contada até ao infinito, grão a grão, até levar à loucura, que só perdura, se ele abrir os olhos, e sentir a risca horizontal da serpente, ao se invadir pela tenacidade da sobrevivência, ou será para sempre um eterno naufrago, sentado na areia, escutando o mar, ou se deixar levar pelos raios solares, enquanto se deita violentamente na areia, e areia, e mar,... as ondas mudam, o mar está calmo, as ondas crescem, e o mar ermo, que batem a seus pés dia após dia...

by Rui Faria, MR

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vaccinium myrtillus


Uma planta interessante que se tornou rara em território nacional, confinada aos lugares mais remotos e longínquos das povoações, em geral, e com populações abundantes no parque nacional peneda-gerês.
Um parente afastado das urzes, da qual pertence à sua família, a Ericaceae, cresce nas florestas temperadas e húmidas da europa, daí que no nosso território, só a podemos encontrar em zonas montanhosas, em que beneficia de temperaturas baixas ao longo de todo o ano, e sobretudo, de uma grande quantidade de pluviosidade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

2 minerais, 2 corações


Procurei nos minerais, um sentido geológico pleno de perguntas do passado, interpretadas por ti e por nós, que sentido ininterrupto, e que caminho voluptuoso, que seguimos, e dormimos sob a luz dos cristais estrelares, sobre as pedras colossais, aquecidas por aquele sol quentinho da manhã, que faz ferver qualquer rocha estival... Ora desvendo o meu coração, estendido e compreendido, pela guarida tua, ora escuto o teu coração palpitante a cada segundo, e então, entendo, que são duas rochas do mesmo mineral, da mesma luz cristalina que ilumina qualquer algar, ou caverna pomposa de escuridão, ou outra qualquer coisa que a terra possua... Mas continuamos agarrados à rocha mãe, dois minerais ricos, e em bruto, duros, e antigos, mas brilhantes à exposição do ar terrestre, até que fomos encontrados, até que nos encontramos um ao outro, materiais da mesma liga, da mesma fonte, e que só a água nos fascina, para que amanhã sejamos um monumento natural de aprendizagem e de loucura "pacífica" mútua.

by Rui Faria, MR

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Podarcis nos granitos rosa de Sintra


 Aproveitando uma brecha de sol por entre as eternas neblinas sintranas, pequena lagartixa, encostada ao belíssimo granito rosado.


O sol como base, a pedra como plataforma, os insetos, que se esperam...


Um pequeno descanso também acompanha...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

rosa sobre lilás


Se a flor, virá, e uma luz incidirá, por tudo o que irradiar, e de certa forma deixar, dessas pétalas desenhadas e riscadas, e pecíolo continuado, na mesma cor apertado, e o desabrochar continuado, na mesma forma, e sempre encantado, ano após ano, e uma vez por ano, o abrir, e o desabrochar, as cores que apreciamos, e o calor que beijamos, dessa flor rosa ou lilás, e mais cores que tais, formais na simplicidade, e do sabor campestre, e da vida de um qualquer prado, de um habitat distinto, e único. O sabor de olhar, o sentir das flores, pétalas sempre desenhadas, aquece-me...

sábado, 17 de setembro de 2016

alvéola-cinzenta no tejo


É nas margens aquáticas que a podemos encontrar, com a sua cauda alongada, a balançar e a tremelicar, num compasso ritmado e sempre atento aos invertebrados que abundam nestes sítios por ela escolhidos.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Triops baeticus, fóssil vivo


Imperceptível ao olhar abrangente, este pequeno crustáceo habita os recantos dos vastos arrozais das lezírias do Tejo... Fóssil vivo, duas palavras simples, mas que ilustram bem a passagem deste pequeno animal pelas agruras da evolução, e por pouco ter mudado ao longo de incontáveis anos. Uma forma que se perpetuou desde uma época muito anterior à dos dinossauros...


by Rui Faria, MR

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

pontos lenhosos


São os quatro, voltados geograficamente, para todos os cantos, e tantos e tantos ventos e incêndios, sob a forma de fogos, que nas pequenas pontas, "encarvoadas", irão regenerar, e tentar, que os ventos predominantes, não sejam fruto de mais um despojar de caules e folhas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

flora dunar do guincho


As bonitas plantas dunares, que são como são, e fixam o solo arenoso, vibrante e salteador, com a certeza do lugar onde estão, e a proximidade com o mar e a linha de costa. Composição contrastante, com tantas e tantas espécies, crescendo num lugar básico e revoltoso. Assim o é o Guincho, num passar constante de dias ventosos, sucedendo a tempestuosos, sem perder a magnífica noção da autenticidade diária, e a diferença visível que marcam esta região.

Um pouco do coberto dunar da flora secundária da duna no Guincho.
by Rui Faria, MR.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

encosta sem árvores


Quero uma linha de árvores, ou uma simples árvore para a minha encosta, queria um pinheiro, um carvalho ou medronheiro, só algo que me desse sombra, e que protegesse aquela planta que se foi embora, que partiu naquele incêndio de verão e deixou-me ainda mais erma, minha bela encosta, de matagais de urzes e muitas outras, profunda e íngreme, queria, e pedia, uma única árvore,... das da tua encosta... ainda com sombra,... ainda com desejos...

by Rui Faria

domingo, 11 de setembro de 2016

céu pintado serrano (Lousã)


Um final de tarde estrondoso, no alto da serra da Lousã, que engalana os olhos, atentos observadores, das cores da paisagem, e no fim de uma grande viagem diurna, essa pequena membrana nebulosa, e quente, qual textura pintada, por grandes mestres salteadores, calmos e pacíficos, envoltos de neblina, na grande estrada montana que une dois pontos mediáticos... o grande monte pintado, e a paleta de cores do céu.


sábado, 10 de setembro de 2016

Micronecta scholtzi na Lagoa Azul


Já algum tempo que tenho curiosidade em descobrir a fauna aquática da Lagoa Azul do Parque Natural de Sintra-Cascais (sim, para quem não sabe, esta pequena lagoa encontra-se em área protegida, mas o facto não impede a degradação do local, desde atividades de caráter malicioso e estranho, até às atrocidades habituais causadas pelo homem, e não é invenção minha nem dramatismo!...) mas como dizia acima, e depois de uma paragem estival na lagoa lá decidi prestar atenção minuciosa às suas límpidas margens, enquanto ela procura e fotografa alegremente as vermelhas e atarefadas libélulas que esvoaçam incessantemente sob o calor dessa tarde.
Então depressa, aquele olhar atento revelou um pequeno inseto hemiptero interessante, o Micronecta scholtzi, de hábitos exclusivamente aquáticos, move-se aos soluços como os pequenos alfaiates.


E sempre com um enorme entusiasmo, da descoberta de uma nova espécie, aliado à vontade imensa de encontrar vida abundante nesta lagoa, descubro então esta espécie, magnífico pequeno hemíptero, com alguma facilidade em se observar nas suas margens. Nadando, sobre os minerais moídos, mostrando os seus rudimentares braços nadadores. Mais fascinante ainda é a sua biologia reprodutiva, que com uma breve pesquisa, dei conta que é uma das espécies animais mais ruidosas do planeta, em comparação com o tamanho do seu corpo.


E por fim a imagem da lagoa...
Podemos observar toda a beleza que ainda permanece intacta em redor deste espelho de água, como eu e como tu, juntos,...

by Rui Faria, MR

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

a pequena garça-branca na vasa


É assim depois que a maré baixa, e os vastos lamaçais do grande rio ibérico ficam a descoberto, proporcionando alimento a muitas espécies de aves que a ele ocorrem, mas também, são berço intemporal de um maciço número de invertebrados ignorados, esquecidos na observação de aves, ou simplesmente desconhecidos... Porque o paladar das garças também conta, e as espécies que elas apanham, fazem mais do que saciar a simples fome... Fome que não é mendigada, mas mais que uma necessidade, e de um viver simples, que é essa simplicidade, que retira da terra, o suficiente para continuar o instante seguinte, e os dias consequentes... Por isso a garça-branca caminha enquanto se alimenta, procurando mais e o melhor..., procurando apenas, e com a sua companheira, percorrendo a linha de habitat fronteiriço, que revela uma riqueza profunda... Nos lamaçais e nos sapais...


by Rui Faria, MR

domingo, 4 de setembro de 2016

a verde paisagem


Sempre em uma paisagem, que nunca se desfaz do seu verde, ou do seu amarelo outonal, nem nunca permite que outras cores se sobressaiam, no manto vegetal imenso e a grande escala, se em macro me revela, hiperdiversidade e cores abertas, e despertas, para a sensibilidade presente, e quente, ou não seria esta uma imagem calorenta, em que a erva que apascenta aqueles animais, também a nós nos comove e move, por trilhos delineados e de fácil ascenção, tal e qual e como são, todos esses verdes iguais, absurdamente ricos em espécies vegetais, mas sem deixar os olhos fugir desse ou daquele contraste, e tu já sabes que deixaste, desde sempre, e em mim, aquela marca paisagística, que brota sempre da mesma forma, e de braços abertos, para nos olhos acarinhar, e nos braços receber, o verde viçoso, o amarelo outonal quente e um frio reconfortante, nesse ciclo anual das quatro estações numeradas, e das entradas do solstício, que lentamente mudam a cor da verde paisagem.


by Rui Faria, MR.