quinta-feira, 30 de junho de 2016

quente sol descendente


Quente sol descendente, que aqueces o ambiente da serra linear, e do mar temperado, qual águas bordejadas por península vasta, e longamente, e pela frente, sob as ondas do calmo atlântico, que o é só aqui, quase permanentemente pacifico e ligeiramente ondulado, e na hora de fechar o dia, se deixa levar pelos tons suaves e cada vez mais escuros. Partida dessa praia, e desse calmo vento, entendo que é efémero esse momento, explosivo, arrebatador, e mais qualquer coisa que se sente... mas só se absorve com os olhos postos, e com a destreza calma e dormente, do corpo sentado nos finos grãos de areia, simplesmente, observando... o pôr do sol atrás da serra calcária...

Na praia da Comporta, obsevando a serra da Arrábida.
by Rui Faria, MR

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Centopeia e a Cobra


Tal como um leão que tenta atacar um elefante africano, a tarefa parece impossível para esta gigante centopeia Scolopendra cingulata, que aperta com as várias patas a cabeça da pobre cobra... Uma pequena cobra-de-ferradura, Coluber hippocrepis, que se contorce insistentemente, para se libertar das garras da grande centopeia, e quase desesperadamente... Mas a centopeia é persistente, é forte e inteligente, e subjuga a potencial presa com uma tenacidade que nunca havia visto em insetos ibéricos. Certo que tenta envenenar a pequena cobra, mas a sua couraça, protege-a das tentativas repetidas da centopeia...


A força deste pequeno invertebrado é espantosa!...



Contorcendo-se continuadamente, para se libertar do predador insaciável...


Os dois animais frenéticos acabaram sendo separados de uma luta exaustiva sem fim à vista.

Um grande cumprimento a Ana Cristina que prontamente descobriu este comportamento.
Belas,...
 by Rui Faria, MR

domingo, 26 de junho de 2016

rabirruivo no "sítio"


É grande a azáfama de alimentar as crias, é imperativo a grande atividade frenética pela procura de invertebrados nas íngremes falésias do Sítio da Nazaré...
O macho rabirruivo traz insetos para a sua prole no enclave rochoso do forte.

Canon 70D - MR

sábado, 25 de junho de 2016

Pombo-das-rochas (selvagem domesticado)



Já é habitual o contacto com estas aves, frequente ou diariamente, que se esquece ou se ignora de onde vieram, e os seus habitats de origem, toda uma biologia complexa e fascinante...
Tento aqui retratar uma imagem de um pombo o mais parecido possível com a espécie ancestral e que está diluída em cada um destes pombos urbanos ou rurais...
Columba livia, o pombo selvagem que habita lugares inóspitos, como zonas escarpadas dos canhões dos grandes rios ibéricos, bem como também, as zonas escarpadas do magnífico litoral atlântico, locais onde ainda é possível encontrar pequenas populações de pombos silvestres sobreviventes... No entanto podem não ter a plumagem característica da evolução natural da espécie, uma vez que podem hibridar com os pombos domesticados. Grandes vistas abarcam esses silvestres...


Num parque urbano do centro de Lisboa, saciando a sede...
Parque josé gomes ferreira, Alvalade.
by Rui Faria


sexta-feira, 24 de junho de 2016

praia dos coelhos


As enseadas calmas, protegidas pelas altas arribas calcárias, que uma portentosa serra oferece, sendo mirada pelas calmas águas salgadas, e azuis, e pelas correntes frias e quentes... Paraísos tépidos, abalados pela presença indiscriminada, dos que a água e a areia poluem e do lixo que produzem, que ficará nos recantos aprisionado... sem dó nem piedade...
Não é uma divulgação a um lugar natural, nem uma veneração, mas antes uma contemplação e uma chamada de atenção, para que o paraíso soletrado pelas mentes das pessoas de bem, seja prolongado intemporalmente, e para sempre...


Os líquenes na sombra das águas azuis-turquesa...

Na praia dos coelhos... é PARQUE NATURAL da SERRA da ARRÁBIDA...
by Rui Faria

quinta-feira, 23 de junho de 2016

olhos da pulga-da-areia


Talitrus saltator, um comum invertebrado saltitante das praias atlânticas e não só. Atenção aos pequenos orifícios da praia que contêm este pequeno invertebrado crustáceo, e também para a coloração dos seus olhos,... o padrão pode mudar!!!
Esta pulga mostrou-me uns olhos esbugalhados, mas depressa se tornou um pontinho negro no fundo dos grandes olhos brancos.

Praia da Comporta
by Rui Faria 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

a formação do caos de blocos


É na Fumadinha que o pinhal-bravo atinge uma expressão que nunca havia visto, propagando-se por todo o lado e por qualquer enclave rochoso, neste caso granítico. Mas é peculiar e diferente em relação à semeadura da vasta orla atlântica de dunas holocénicas e outras (vulgares matas nacionais litorais), é mais especial no sentido de todos estes pinheiros vegetarem no outro seu habitat potencial, ou seja, locais rochosos. Sabendo que água e o vento podem formar e influenciar a formação dos penedos graníticos ovalados ou oblongos, ou as clássicas bolas polidas, por si próprios, então aqui neste local vemos essas ações serem complementadas ou aceleradas pelo crescimento do vasto pinhal deste centro interior. Desde jovens árvores que crescem de forma espontânea, até às grandes árvores, ambas, rasgam temporalmente a rocha dura mas de composição mineral frágil, criando fendas, alargando veios ou intrusões, abrindo caminho por entre zonas frágeis do granito, mas originando algo que mudará a paisagem granítica durante o tempo, a criação de solos, cada vez mais férteis e biodiversos. É a rocha mãe sendo devorada pela flora que domina à superfície!

Em histórias naturais de portugal e da península ibérica by Rui Faria
em Fumadinha, Sernancelhe
MR

terça-feira, 21 de junho de 2016

papa-moscas-vermelho (P.chrysops)


Magnífica aranha pequena da família salticidae, a Philaeus chrysops, que percorre os matagais abertos e carrascais de Caneças. Impressionante a coloração garrida deste macho!


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Guincho selvagem no final da tarde


Na frescura deste sol que se põe, lá tão fundo como o oceano, sobre as ondas cavalgantes, e os desejos do segundo dia crescente, que enormemente nos enche de luz doce e difusa, sobre as areias roladas, vidradas, de uma praia fustigada pela beleza e pelos contornos do fim da Europa. Por aquela luz, tantas vezes vivida e embalada nos olhos, sempre embevecidos, que vêem a imensidão e a imaginação oceânica, sem pensar na plataforma terrestre e no sabor terreno. Dos traços circundantes, das curvas arenosas, e da suavidade dunar que o vento e a água molda, pelos braços da imponência de uma costa selvagem e indomável, dunas e falésias, fósseis eternos...

by Rui Faria

domingo, 19 de junho de 2016

o esquilo guloso


Era uma vez um comedouro para aves, para pequenos passeriformes, invadido e usurpado por este pequeno esquilo gordito, que se habituou a esgueirar-se por entre a fina rede que protege o comedouro de outros animais que não chapins, verdilhões, pardais, e outros...
As sementes são irresistíveis!...

Parque Biológico de Gaia
by Rui Faria

sábado, 18 de junho de 2016

gotas na Cassida


Nas margens do rio Ferreira, nas plantas herbáceas, e depois de um dia de sol e nuvens, este pequeno coleóptero do género Cassida apanhou com a chuva anunciada e as pequenas gotas se espalharam pelo seu corpo.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

a cria do javali


A pequena, adormecendo no ventre da progenitora, no seu seio, descansando, de um dia de brincadeiras, de aventuras, de momentos importantes para o crescimento futuro e a aprendizagem crescente, que se enraiza no seu pequeno corpo...
O pequeno javali estriado...

Parque Biológico de Gaia
by Rui Faria

quinta-feira, 16 de junho de 2016

pinhal das Lampas


O pinhal evocativo daquele tempo perdido, em que o pinhal era gigantesco, como uma única mancha contínua, de botânica variada, de espécies encantadas, uma evocação do mediterrânico, um sentido de campestre, um campo de flores, ou um perdido ambiente palustre... o matagal e a Pinus pinea.
São João das Lampas

quarta-feira, 15 de junho de 2016

a cabra montês de Sintra


Como que evocando os grandes animais livres e selvagens do passado, as cabras, sempre associadas a sistemas montanhosos, de preferência locais de declive acentuado, rochosos e escarpados, locais de eleição de um ungulado peculiar e engraçado, que saltita nostalgicamente de penedo em penedo. É uma característica marcante que não salvou estes mamíferos da sua completa extinção ou diminuição drástica na península ibérica, nem mesmo os lugares remotos onde eles habitavam, de que é o caso, o extenso maciço da Peneda-Gerês, os resguardaram da fúria selvática e da perseguição desenfreada do homem...
Mas e então estas cabras claras, quatro indivíduos que pastam pachorrentamente sobre os penedos, esticando-se para chegar às folhas mais tenras dos pequenos arbustos mediterrânicos... Enquanto aquela descansa no penedo granítico claro, sob o sol ameno e as nuvens clássicas que se aproximam...


Mas pode esta espécie ter habitado, ou ter-se perpetrado num maciço isolado como este, o maciço eruptivo de Sintra? É plausível, sim, mas não foi possível a sua instalação devido à presença histórica muito antiga de seres humanos de diferentes culturas na serra. Impediram desde hà muito tempo, a presença de este e de outros ungulados maiores, bem como os seus predadores... Mas de facto dá que pensar e refletir, uma vez que estão reunidas todas as condições biológicas para a manutenção de uma hipotética população de cabras silvestres, desde os diversos pequenos picos íngremes de caos de blocos espalhados de oriente a ocidente, às encostas íngremes e repletas de vegetação altamente variada e mista, devido ás condições climáticas exclusivas do maciço... Seja pela representação de praticamente todos os bosques de quercíneas do país, e suas plantas portadoras, seja pela presença de espécies endémicas, e por uma grande variedade de matagais interessantes, fruto da ação contínua dos fogos antrópicos ou de origem natural, que diversificam a paisagem, e ao contrário do que está enraizado, contribuem para o aparecimento de uma grande variedade de espécies vegetais, e ao mesmo tempo impedem o fecho do bosque e o ensombramento, criando um mosaico, saudável e balançeado...


Por isso a cabra montês, tem aqui em Sintra um reduto único, e um lugar rico em alimento, repleto de abrigos e refúgios... Quem sabe lugar de uma hipotética subespécie confinada!



 Despreocupada com os dois lindos observadores MR.



Sintra...
by Rui Faria

terça-feira, 14 de junho de 2016

Pieris em grupo


Mesmo depois de um rio ser desviado do seu leito à muito tempo para irrigação de campos, ou de uma alta barragem empobrecedora de vida, os espetáculos naturais nunca cessam, nem se interrompem, e são deslocados pelas condições locais ou pela floração de sítios super abundantes em alimento...
No que deveria ser esse leito, coberto pelas frescas águas que vinham do interior alentejano, que são aprisionadas pela barragem de Pego do Altar, e pelo canal de irrigação, está agora a pequena cascalheira a descoberto, frondeada por potentes e altas exóticas que se estendem pela zona calma... Mas as borboletas Pieris concentram-se ali para o festim breve...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Montejunto (a subida)


Tens uma força incrível amparada nesse corpo, e nessa mente amorosa que me faz voar, viver e amar, te muito, sempre, naquela subida pela serra, árdua e calorenta, de olhos postos no que se mexe, nas "brabletas", maravilhosas, que povoam campos e matos, mas naquela que a gente procura, uma das mais belas, a borboleta-pavão... Mas eu sei que são caminhos íngremes, que custam às pernas, às minhas e às tuas, às nossas, por entre pedras e cumeadas, estradas apertadas e com ervas perigosas que escondem aquele aracnidae avermelhado... e sentamos de quando a quando, contemplando, o horizonte, e lá mais ao fundo, respirando e absorvendo tudo, olhando, de olhos fixos e lábios encarnados, sedentos, pelas águas puras e frescas, por um gole demorado... Mas olhando para cima e para o alto, para o quase, e está quase, cada vez mais perto, mas devagar e a contemplar, vamos ter de desbravar matagais, para passar e continuar, de sorrisos eternos nas bocas tua e minha, de espírito forte e jovial pela montanha acima... por trilhos sem  parar...
Montejunto, monte dos montes juntos... unidos...


by Rui Faria

domingo, 12 de junho de 2016

afundamento de estratos (Espichel)


As linhas sobrepostas de material sedimentar prê-histórico, derivadas de grandes sistemas aluvionares, depositadas lentamente umas sobre as outras, criando um padrão distinto e facilmente identificável, que só a linha de costa mostra no seu estado natural e selvagem. Já o sol descendente, acentua as cores destes belos estratos, cortados e presos eternamente pelo espesso manto botânico que cobre a superfície...
by Rui Faria

sábado, 11 de junho de 2016

jovens andorinhas-dos-beirais


Curiosas, são estas jovens andorinhas-dos-beirais, que se juntam num grupo denso no paredão da barragem de Pego do Altar, desfrutando do sossego e da pacatez da zona. Esvoaçam barulhentamente, enquanto caçam os insetos alados que abundam no vale apertado...







by Rui Faria

sexta-feira, 10 de junho de 2016

graminhal da stipa


Graminhal dourado, abraçado pelo vento, na imaginação dos montes e vales, picos que dizem picar-te, mas não picam, nem ferem, ao redor de altas hastes, de altas plantas, que bailam sem fim, assim caminhas pelos trilhos dourados, deitados esses caules pelo peso da gravidade, e pelas sementes que se desprendem, que se agarram a nós, espetando-se como parasitas carraçadas... Somos levados pela viagem estrelar, de um monte mais uma vez dourado e enorme, de uma penedia, que força a fixação das gramíneas, e não é senão o restolho, que até ao verão, emana doces aromas, pela brisa diária, ou pelo interessante bafo tórrido dos últimos dias primaveris cansados, ou pelas últimas flores resistentes e duras... Estamos embalados, sempre... pelas músicas melodiosas no ouvido, e com os prados no coração, pradarias selvagens e o graminhal dourado...
Pelo monte da Stipa...
Histórias selvagens...
by Rui Faria

quinta-feira, 9 de junho de 2016

bolsas amarelas de ononis


A Ononis ramosissima cria largos tufos densos de flores amareladas apertadinhas, que confere à flora local uma luminosidade interessante e um grande destaque, nas falésias a norte da praia do guincho.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

a caça do Mantodea


O supremo predador dos invertebrados, é um caçador ativo e persistente, procurando e localizando a sua presa, aproxima-se silenciosa e furtivamente, sem que a presa se aperceba que está a ser caçada... Tal como os grandes mamíferos predadores, este louva-a-deus conta com a sua camuflagem para ter uma taxa de sucesso de predação alta... Imperceptível por entre a folhagem, apanhará este pequeno ortóptero...

Num penedo granítico do alto de São Mamede (Póvoa de Lanhoso)

terça-feira, 7 de junho de 2016

coração do xisto (FOFIS)

 Isto é para ti, isto é para nós, na medida em que me enches de algo tão grande e poderoso que eu abraço, que me fazes sentir... que me amas, que me adoras, que te fundes em mim como a rocha mais sólida da terra, mas fluímos pelo ambiente como água leve, pura e cristalina, absorvendo todos os momentos, criando memórias, registando recordações, vivendo vivências, experimentando o único, e sê-lo afincadamente e repetidamente pelas eras,...
O toque se mistura com o tempo escasso, o tempo de estar sempre a teu lado, que voa, esvoaça, passa depressa, mas no fundo passa devagar porque fazemos dele um bem precioso, um bem que flui e se dispersa invisivelmente... Sente, que eu também sinto o mesmo, o mesmo e o único, muito além das simples palavras que dizemos, e nós sabemos que sim, no olhar, nesse toque, nas mãos e nos "entrenós" e veias salientes, nos entrelaçamos, nós entrelaçamos, e estamos sempre a entrelaçar, e a entrançar, materiais de pureza, natureza de cores e texturas brilhantes, pelos montes e bosques, por onde quisermos, sempre estaremos, mais do que juntos, mais do que unidos, decididos a percorrer qualquer estrada e trilho, com aquele brilho de meninos, com aquilo que sentimos, e sem nós dois não seríamos, um e só um, mas somos fofis... somos um, somos tu e eu e eu e tu, somos a terra, a água e o ar, somos o fogo que ofega o respirar, ou o calor omnipresente em cada raiar de sol que apaga o dia anterior... temos os dias, temos as mãos... basta olharmos, sentirmos... caminharmos... num mundo cheio de maravilhas, esperando serem descobertas e contempladas, e claro, e sem dúvida, registadas!!!

Coração do xisto, que me embalou, para ti, para mim e para nós...
Insisto, e hoje sou, hoje és... um só...

       

A magnífica praia de Vila Nova de Milfontes, repleta de calhaus rolados, sarapintados de linhas brancas, de padrões incríveis, ...
Costa selvagem...
MR

by Rui Faria

segunda-feira, 6 de junho de 2016

casca de pinhões, coleóptero das dunas


Do pinheiro-manso saem os gostosos pinhões, pinhões que já foram descascados e deliciados, manjar dos pinhais, sabor mediterrânico...
Mas aí perto passa, caminhando pelas finas areias o grande escaravelho preto e reluzente, de passos leves, na sombra do grande pinheiro-manso...


by Rui Faria

domingo, 5 de junho de 2016

contra monte - foz do lizandro


A imponência da paisagem, e as curvas que o rio mostra são arrebatadoras... São as pedras que se querem salientes por entre a vegetação esclerófila e mediterrânica, são as saliências íngremes, ou os desníveis belíssimos... São os altos canaviais de Arundo donax que agarram as margens e que protegem exoticamente as encostas...
Monte contra o monte, monte contra o forte, foz que linda foz, foz do lizandro...
by Rui Faria

sábado, 4 de junho de 2016

Larus melanocephalus


Nas areias do estuário do rio douro, a gaivota-de-cabeça-preta, descansando da sua árdua migração.


Limpando a penugem...


Limpando o pescoço...

sexta-feira, 3 de junho de 2016