domingo, 31 de janeiro de 2016

riacho pintura


Pintaste-te de tantas cores heterogéneas, nessa paleta geológica, que o teu leito as faz sobressair,... destaca tão belas texturas, e tão bela confusão admirada, e eu aqui especado a sentir... rocha desenhada na alvorada, rocha pintada sem artistas, leito límpido e águas frescas, riacho que desces a encosta, mostra-me ainda mais cores, mostra-me o vermelho, e eu entendo... mostra-me o verde das algas e eu admiro, une todas elas para meu espanto...   

sábado, 30 de janeiro de 2016

árvore despida (um homem)


Um dia, ali esteve sentado, contemplando, a imaginação de um homem que nunca se separa de um elo ligado ao seu coração e da força brutal de um mundo mágico, a vida que espreita de cada recanto observado, de cada pilar natural, um elo, quebrado por uma força maior, um elo da corrente que completa... Porque as sensações são palpáveis e o vento tem sabor? 
E então ele levanta-se e diz adeus, prossegue caminho, trilho abaixo, estrada fora, caminhos incertos...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

o esquilo na margem



Pela margem do rio, o esquilo, saltita e caminha, corre pela vegetação intrigado pelo observador, por entre a linha de árvores ribeirinha. Querido, que percorre, o caminho, e palmilha o arvoredo, no habitual quotidiano.


Pequeno rio entre a serra de santa comba. (Sobreira)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Narcissus bulbocodium


O narciso dos veios de arenito entre os calcários das falésias a norte do cabo da roca.


O detalhe da flor e o amarelo deslumbrante...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

a humidade do rio


És tudo o que eu quero, o teu nevoeiro, e a tua bruma, senão é despida de um manto florestal invernal, só uma, e única, água fontaneira, de vida rochosa, e de musgos verdinhos, porque corres, névoa querida, porquê? ...pois!
Mas é na humidade fogosa, que me engalana as mãos estendidas, que absorvem uma energia que sinto e não minto quando me expresso, quando invento e sonho que os bosques permanecerão enevoados,... e são enganados aqueles que o percorrem de olhos fechados e de coração trancado, opah, dizes que as folhas pararam entre as pedras, no remanso da água calma que estagnou, mas só ali, porque a água corre, no seu leito, gelada... Ramos abertos e despidos, num abraço quente, e já não é frio nem gelado, uiii, enamorado, por essas cores, uiii, que profundo contraste húmido, que gotas que escorrem pelo ar denso, e que imenso é um só, que imensa é uma emoção, porque eles são dois, o verde e o castanho, qual não é o tamanho desse meu coração...
É no rio, sobre as pedras, é no leito, é o inverno e as folhas caídas,...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Myrica gale


Nas margens recônditas da pateira de fermentelos, esta belíssima planta de porte arbustivo por entre caniços e outras plantas típicas destas zonas húmidas.

domingo, 24 de janeiro de 2016

musgo e líquen


Abraço do líquen com o musgo naquele rochedo de arenito duro e compactado. Belas formas de erosão acelerada, nos confins daquela falésia.


A norte do cabo da roca.


sábado, 23 de janeiro de 2016

praia de Adraga e as gaivotas


Por momentos, de voar, na praia, e nos calcários prepotentes e engalanados, que se atravessam no caminho da orla costeira, das águas azuis-turquesa, e dessa beleza, intemporal mágica, que adorna essa paisagem. É o poiso preferido, é o recanto sossegado, é um ponto de passagem para o ser alado,...
Minha gaivota de asa escura, invernante, já sou amante tua...~
Sempre fui!

by Rui Faria

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

árvore despida


Árvore triste na sombra da manada, alerta e convicta que a vegetação ainda dará muitos nutrientes, ali próxima, naquela suave encosta, naquele monte duro das giestas e de incêndios antigos...
Árvore morta e solitária de ramos desapegados. beijados pelo ar frio matinal e pelo incessante e incansável tempo que passa por eles invisivelmente, e aparentemente sem causar dano ou injúria nos pálidos ramos candelabro, ramificação resistente, imparável e imóvel, desgastada, polida, velha, morta, um dia cairá...

serra da cabreira / by Rui Faria

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Quercus faginea


Bolotas verdes, folhas castanhas, bolotas rugosas, folhas suaves, carvalho que vegetas nesse monte granítico, único por extensão, belo por comparação, com os do norte, os graníticos por excelência...

Mancha de granito, maciço traquítico de Montemor (Caneças). Quercus faginea.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Symphypleona ...


Na folha de rubus este pequeno invertebrado chamou-me a atenção, a sua cor pálida, por entre o verde da folhagem destaca-se. (Collembola)


domingo, 17 de janeiro de 2016

Prunus lusitanica


O azereiro, árvore relíquia do terciário, chega até nós nos recantos mais intocados da península ibérica. Uma planta perenifólia tropical, representante de um tipo de floresta que já não mais existe, e que se perdeu face às bruscas mudanças climáticas. Este exemplar vegeta no vale glaciário do rio geres, encravado nas encostas de grande declive, acompanhado por carvalhos, plátanos e outros...

sábado, 16 de janeiro de 2016

castanheiro e o ribeiro


Quantas vezes as tuas águas passam por mim, as tuas águas cristalinas, claras e límpidas, trazem a humidade refrescante, aquela sensação invisível de frescura. Eu ali sozinha, como árvore isolada, estendo os meus largos ramos à vontade e sem medos, só eu ali, e o meu curso de água companheiro, que tão perto e junto das minhas raízes passam. Se a sede apertar,... na verdade não aperta, porque essas minhas raízes ali estão para sorver o precioso liquído.
No solo que decompós as folhas de outono, mas que nada mais resta em mim, senão os meus raminhos nus e despidos prontos para daqui a uns meses estarem revestidos de verde e folhagem brilhante, mas enquanto não chega, continuo neste estender de ramos desabraçados e ocupantes deste espaço...
Preciso de um bosque, preciso de uma floresta, porque já nada me resta senão a tua companhia, e o teu transparente liquído, doce ribeiro.
Sem a tua presença, continuaria uma desavença, e uma amargura que nem os raios de sol curam, mas o tempo nublado de agora mostra-me a ti e a mim com as cores ternas e definidas, aqueles tons castanhos e dos verdes dissimulados, dos musgos encantados, encravados no meu tronco rugoso e nos ramos lisos, pintando-me de verde ou sarapintando com o claro dos líquenes, nessa viva pintura que se me apodera...
Mas tenho de viver o inverno e esperar que as lindas folhas juntem ainda mais verde a essa pintura, aquele verde fresco e com cheiro a primavera, era o que eu queria, mas agora não, só tenho de me resistir ao clima incerto de novas épocas, e de me conformar como habitualmente com a chuva torrencial que cairá, é uma questão de tempo, e com a neve, será que ela vem após o frio intenso... Mas se essas chuvas fortes que tardaram em chegar chegarem irão transbordar-te meu ribeiro companheiro, que soarás mais barulhento, enquanto eu invento pensamentos bonitos do meu belo habitat. Do meu lar e da minha eterna montanha que me viu nascer, que me viu criar e me fez desenvolver forte com este porte que apresento. Não tento que os meus baixos ramos se mantenham curvados para cima, nem preciso, se o espaço solitário e o vazio deixado é grande...
A minha montanha que me dá a água que eu preciso e que eu canaliso pelos veios internos, pela madeira clara e dura por todo o eu...
Nunca nos vamos separar, tu e eu, árvore e ribeiro, eu castanheiro e tu o curso de água doce, unidos neste habitat e na composição no passar das estações do ano, e moldar-mo-nos face à evolução das coisas... Porque é o meu clima, e onde eu vivo, nesta meia encosta, a minha terra, o meu solo, as minhas plantas,... mas, espera,... nada é meu, apenas partilhado, para me continuar a fazer companhia durante séculos, até morrer de pé ou pela doença que muitos irmãos meus dizimaram, ou pela sede de material do homem, até lá, viverei... Eu castanheiro, contigo, o meu lindo curso de água, a minha ribeira, o meu ribeiro, minhas águas, meu imortal desejo de bosque insaciado, meu viver pulsante e incandescente,... para sempre,...

by Rui Faria
Castanea sativa na encosta norte da serra da Cabreira, numa pequena história, ...
O castanheiro...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Osga-turca (beleza exótica)


A belíssima osga-turca Hemidactylus turcicus, qual beleza exótica e tropical que povoa os recantos mediterrânicos do sul da península ibérica. Mas que cores! Impressionante!

Por terras de Moura no grande Alentejo.
by Rui Faria

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

queda de neve húmida



Neve húmida que cais incessantemente do céu claro, branqueando a paisagem nesse tom monótono e homogéneo, como névoa que embacia o ar e se gela como flechas cortantes e agulhas voadoras... Neve húmida que cai lá de cima e ventos que a empurram, que a doseam, que fazem essa miríade gelada espalhar-se por cada recanto, cravando-se em um manto, e mais um vez a cor é o branco...
Serra que recebes essa neve húmida, que encharca e empapa a camada de solo, que gela à superfície, que esfria,... Ohh, neve...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O açor no riacho


Apanhado por câmara de infravermelhos, este açor, Accipiter gentilis, não resiste em saciar a sede num riacho encravado em uma das encostas do vale do Couce (Valongo).


É tempo de descansar!


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

o penedo da armeria


Oh que linda armeria, porque estás sozinha virada para o atlântico?, deixa lá, as tuas flores são magníficas! Pois é, que importa se o céu está nublado... Que importa se tu me vês aqui sentado a contemplar-te e a deliciar-me com o teu cantinho reconfortante... Tão bom...

Penedos de Leça ...
by Rui Faria

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

canta o Rabirruivo (penedos litorais de Leça)


Ele que se torna senhor do seu meio, e se apodera destes enormes monólitos graníticos, sob a alçada das plantas dunares ali perto, canta ao sabor do céu nublado e de um mar temperado. Rabirruivo, essa rocha é toda tua!!!

domingo, 10 de janeiro de 2016

cogumelo no gelo (e musgo)


Apesar de se avizinharem fortes quedas de granizo e neve, pouco importa para este pequeno cogumelo. Brota por entre a capa de musgo que atapeta o penedo granítico na serra de Freita.


E as hastes vermelhas salientes das briófitas, contrastam belissimamente com o gelo que caiu.

sábado, 9 de janeiro de 2016

veios negros


Nas dunas recuadas de Maçeda, o recuo foi tanto que em determinadas alturas do inverno a porta dos lençois freáticos de água doce se abre e desagua por entre as águas salgadas do mar ali junto. Diga-se logo de passagem que é algo impressionante, é como se fosse uma nascente, mas em vez das montanhas, esta nasce junto do mar, onde todos os cursos de água desaguam, e que já vêm com centenas de kilómetros percorridos. O tom escuro dos veios advém do solo arenoso mais escuro por certo e de caratér antigo, por cima de lamaçais pré-históricos. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

a urze rosa


Pois, canso-me de ver as flores da Erica umbellata carcomidas por algo que não sei bem ao certo mas que fico com o mistério latente e pulsante na minha mente. Se bem que há coisas que nunca serão desvendadas e outras que o são explicitamente sem nos darmos conta. Mas deleito-me com o rosa da urze rosada, desta urze rosácea, e que belo tom floral.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

feto (o desenrolar)


Desenrolar dos fetos no bosque escuro, ultrapassado pelos raios de sol matinais, envoltos por cíclicas névoas místicas. Acelerando o tempo, damos conta que esse desenrolar se abre numa comunhão perfeita, num entre abrir de folhas que esperam para se soltar, uma de cada vez, uma a seu tempo, desprendem-se da bola que as formou até terminar a última folhinha da pontinha e o feto está terminado e bem desenvolvido, aberto à plena luz e de mão largas no solo daquele bosque, um adulto que já foi jovem e pequenino broto, verdinho, que despontou da terra húmida e fresca... fetos!!!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

névoa e herbivoria


Na névoa negra e despida, envolta pela humidade suspensa e latejante e de um clima frio tipicamente montano, o garrano pasta na sua indiferença, no pasto raso e antigamente queimado, mas avança indiferente ao desabar da tarde e à escuridão que se avizinha, é como se a névoa envolvente oferecesse segurança sob um manto transparente mas denso e pontilhado por uma infinita quantidade de gotículas de água. As giestas querem ser árvores e resistem ás condições agrestes da serra alta, querem e algumas até o são de facto, mas as outras árvores já abandonaram o local à muito, deixando para trás o solo agreste e pedregoso atapetado pela vegetação rasa impulsionada pela herbivoria, que assim regenera espécies perdidas e ajuda aquelas em dificuldades, mas se a pressão for demasiada, o solo pedregoso pode voltar a ser uma realidade...
Outra vez dizer que as árvores morrem de pé, e o tronco dos pinheiros queimados permanece ereto e resistente ao passar do tempo e às potentes intempéries ou ao profundo sossego e solidão da montanha.
E nesses tempos passados a descer a encosta para não apanhar a escuridão que avança sob a paisagem a um ritmo veloz, surpreendentemente rápido na névoa cada vez mais densa. Perder-me e encontrar-me é nostálgico, mas na realidade não me perco, apenas me afasto ligeiramente do caminho plausível no descer daquela encosta, mas porque não?
O caminho é frio, mas o coração palpita-se quente e acolhedor pela magia de observar a conjugação dos elementos atmosféricos, astrológicos e geológicos...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

cristas xistosas


Para oriente da serra de Pias, a terra parece que foi aspirada ou varrida, criando esta espetacular formação de cristas xistosas. Natural sim, mas influenciada obviamente por fatores externos e de caráter antrópico, como o pastoreio intensivo, o corte de árvores e a roça de matos, e naturalmente os incêndios cíclicos. É por estes recantos que visito uma vez e outra em busca de novas plantas, mas já sei que as conheço na sua maioria, de invertebrados se a época quente se propiciar ou de texturas geológicas, mas no final procuro algo, ... procuro o que não estou à espera, sem instintos, porque se há coisa que aprendi, foi que se esperarmos muito algo, essa espera torna-se em desespero, e só a sorte pode acabar imediatamente com esse desespero, ou por último o inesperado, que provoca aquele sorriso intemporal e que nunca se esquece!... o sorriso de, finalmente chegou, ou finalmente encontrei, ou finalmente sou...
Mas e o percorrer destas cristas com sabor a terras selvagens e lugares remotos...
Inolvidável...!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

diptera sp. margens douro


Nas margens do rio douro a jusante da barragem de Crestuma, influenciadas pela ação das marés, e nas rochas a descoberto, pululam estes dípteros por entre a escassa vegetação própria destes ambientes salobros. 


11-4-15 by Rui Faria em dia de céu limpo.







domingo, 3 de janeiro de 2016

bosque mistério


Sobre a áurea do tempo misterioso, cai o pano de fundo no bosque mistério, portentoso, nos raios de sol que o atravessam, dilacerando emocionalmente o ambiente, e sempre, desde as mais belas manhãs ensolaradas, e desde a posição característica do astro rei. Oh que belo arvoredo pintado pela luz e a vida que se absorve no sentido e em um sentido, e agora neste lugar iluminado e os ritidomas na escuridão e à contra-luz. Sentindo na pele o calor quente, e eu estático, absorvendo e observando mais uma vez, com a sensação do solo húmido, mas a humidade sem a ver, com a sensação inexplicada e um meio que me atinge pela manhã... e nesta minha razão de ser, de abraçar algo, este bosque, abraçá-lo com a visão e caminhando delicadamente pelo solo empapado e molhado com a vegetação herbácea competindo muito lentamente por aquela luz escassa que penetra pelo meio das copas, ramos e raminhos, e folhas que já não existem das árvores de folha caduca, mas também pelas folhas das árvores exóticas, as usurpadoras sem culpa que tomaram este habitat...
Olhando para trás vejo o bosque nítido e bem formado, olhando para à frente vejo a contra-luz e apenas as formas, serenas e quietas bem ou não delineadas, se são assim essas formas!... A Rubus encavalita-se, sobe-se a si mesma e precipita-se para cima, para os lados, para... expande-se na dominância e dominando mesmo o baixo estrato florestal e sufoca as pequeninas plantas que já não mais espaço têm, e partem, e disseminam-se noutras terras livres e airosas, para prosseguir um ciclo, ou mais um e outro, e por aí fora. Mas deixo a sensação outra vez tomar conta de mim e do meu corpo, e até os cheiros e odores, fundem-se numa experiência própria e única para meu deleite, quase uma união abraçada, ou um abraço caloroso e apertado que tanto faz bem, ... e o tempo pára, e será que parou? Aqui no bosque misterioso, no bosque...

Vale de Cabeda
by Rui Faria

sábado, 2 de janeiro de 2016

Linaria triornithophora


Flores de agulhas rosadas no meio da vegetação incensa, vistosamente escondidas e maravilhando os olhares penetrantes que atrevidamente entram pelos arbustos dando de caras com três flores, três belos e belas formas de destaque floral, um apêndice ereto que as leva até à luz, até à fase do seu crescimento climáxico. Mas de costas voltadas e de cara à cara com o entorno apertado daquela vegetação que as viu nascer.


Folde Oeste da serra da Cabreira.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

"a ilha das gaivotas"



Na verdade, ilha, foi para criar um certo ênfase e empolgação que este banco de areia a norte do Furadouro, poderá fazer lembrar carinhosamente uma ilhota, e em jeito de infância, apontar o dedo para lá e dizer, olha a ilha!!! Isto é quase um especial para as crianças que possuem uma imaginação muito produtiva, repleta de questões e sonhos sem fim, que se vão perdendo na idade adulta, mas porque eles se perdem?, se o entorno, nosso ambiente, está repleto de motivos pulsantes para sorrir e viver... As crianças têm as histórias e os sonhos, mas já os mais velhos e sábios recontam-nas no saber da experiência acumulada em décadas passadas. E nessa idade revivem um pouco da criança verdadeira que um dia foram...
E então eu uso a minha veia de criança, e vejo os pássaros ali poisados na areia escura sob o céu e as nuvens, já o mais sábio explica que são gaivotas oriundas dos países do norte da europa que por cá passam o inverno, nomeadamente a gaivota-de-patas-amarelas e a gaivota-de-asa-escura... e estas repousam na tranquilidade desse banco de areia a descoberto da maré baixa, mas criado pelo recuo da costa dunar, e acumulado na frente marítima.
Mas a criança quer correr livre pela praia e nem sequer passa pela cabeça em ser friamente gozada pelos outros, isto se fosse um adulto, ou poderá pensar-se que é um maluquinho! Mas aquele homem e mulher que o faz sem prestar importância a esses dizeres é mesmo um grande homem ou uma grande mulher de bem consigo mesmo, ...mas não corras para junto das gaivotas, pára ali, e segue a correr alegremente pela praia, de pés descalços, sente os grãos de areia finos e suaves desta praia, desvia-te para a leve rebentação e molha-os e refresca-te, não importa o frio, não importa o calor, não importa o vento,...
Não percas a criança que há em ti, porque se a perderes, os sonhos perdem-se também...
Liberdade... Vida... Amor...e Paz...

by Rui Faria