terça-feira, 22 de março de 2016

Serra da Boneca (Wild)


Na serra da Boneca, o campo de xisto me engalana os olhos, as encostas laminadas, por finas camadas de rocha cinzenta, e por vegetação rústica adaptada a este tipo de paisagem agreste. As cinco espécies de urzes estão cá presentes, uma contagem que admiro efetuar sempre numa serra como esta, é a Erica arborea, a Erica australis, a Erica umbellata, a Calunna vulgaris e a Erica cinerea, e outras tantas espécies, que juntas formam um habitat ou um espaço vulgarmente designado por matos... São belos matos que se apressam a florir com a entrada da nova estação, tal como o faz o Ulex micranthus, encravado em pequenas manchas nas zonas mais abrigadas do alto da serra, mas com exposição a sul por exemplo... formando no seu todo esses vastos matos uma característica tonalidade verde escura.
O xisto salta à vista, como um campo de lâminas que pontilham as encostas até ao ponto mais alto e exposto, descobertas pela erosão, ou pela extracção indiscriminada, deixando uma paisagem rústica característica, que a vegetação a ferro e fogo desbrava e corrói até permitir que as árvores se instalem a partir das lajes xistosas, começando pela fixação dos primeiros colonizadores, os líquenes e musgos, que, lado a lado com as diversas espécies de matos, pintam esta linda serra de cor, mas sobretudo de vida.


Erica cinerea, em princípios de floração.


Carqueja e os pequenos rebentos florais.


Concentração de líquenes Cladonia sp.


Sobrevoando as encostas dois corvos Corvus corax, emitindo o som característico e mais grosso que o das gralhas.


Uma das asteráceas mais comuns por esta serra vegeta nos interstícios do campo de lâminas xistos ou pelas encostas e matagais rochosos, pintando de amarelo com as ~suas múltiplas pétalas abertas ao sol primaveril.

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