quinta-feira, 24 de março de 2016

lugares, Aderno...


Vou-te contar uma história, daquele tempo e daquele lugar esquecido e isolado, daquele viajante empolado que procura os mistérios ignorados, na sensibilidade de os compreender e os abraçar, que caminho eu por entre árvores bonitas, na sombra de folhagens, avanço adentro, tocando no tronco, daquele jeito de encostar a pele na casca ou no ritidoma, áspero e sentir a energia pura, o despertar para a saudade minha e tua, sentir um ser vivo, sentir apenas, sentir simplesmente... Mas a encosta é dura no calor imenso que me retira água, que me deixa tenso, que me dá memorias, que me dá segredos, e eu não sei como esqueço viagens antigas, de outros percursos de outros lugares, de outras paragens e sabores, que me trouxeram a alegria e o impulsionar para cá voltar novamente e procurar algo que nunca vi, algo que ali está, uma flor, uma pedra, uma textura, uma cor nos tons, e os sons que me chegam ao ouvido, daquela ave e da outra ave, que pelos raminhos, que pelas pontinhas da ultima folha erecta daquele arbusto observam o entorno, como vigias, como sentinelas, e outras que não se importam, sintam as minhas mãos no ar e a brisa leve e quente da encosta... Sente este lugar... olha para o aderno...
by Rui Faria
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