sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

luz quente, ... um final de tarde


No final da tarde do desejo intemporal daquele rio belo, e de um momento estagnado, qual força bafejante que lanceia toda a alma pelo céu, pelas encostas e pelo interior do leito do rio portentoso, de um rio banhado a ouro que recebe a luz do astro... e outro, e outra, árvores que bordejam, meninas de permeio com a suavidade de águas quentes, sentes o espírito quente? Sentes a minha encosta, porque já não volta aquela luz pálida, do final de tarde, do final do dia, porque ela iria, e já foi, porque ela vai e já não volta, voltará no dia seguinte? Luz quente, luz que penetra na alma e no coração de olhos molhados, levemente entreabertos, lancinantes, sem palavras para traduzir o que viu, ou que vê,...
Agora deixa aquela árvore menina, e os seus raminhos esfumados na luz difusa, e que reduza com o pôr do sol, que esconda sob a sombra e a escuridão, que fascina, que intriga, que embeleza, três quartos de hora... Por agora, ficamos assim, luz quente, daquele astro luzente, respiraste o último, o último ar de frescura, porque no meu íntimo já está a acabar... 
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A montante de Crestuma 
by Rui Faria


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