domingo, 3 de janeiro de 2016

bosque mistério


Sobre a áurea do tempo misterioso, cai o pano de fundo no bosque mistério, portentoso, nos raios de sol que o atravessam, dilacerando emocionalmente o ambiente, e sempre, desde as mais belas manhãs ensolaradas, e desde a posição característica do astro rei. Oh que belo arvoredo pintado pela luz e a vida que se absorve no sentido e em um sentido, e agora neste lugar iluminado e os ritidomas na escuridão e à contra-luz. Sentindo na pele o calor quente, e eu estático, absorvendo e observando mais uma vez, com a sensação do solo húmido, mas a humidade sem a ver, com a sensação inexplicada e um meio que me atinge pela manhã... e nesta minha razão de ser, de abraçar algo, este bosque, abraçá-lo com a visão e caminhando delicadamente pelo solo empapado e molhado com a vegetação herbácea competindo muito lentamente por aquela luz escassa que penetra pelo meio das copas, ramos e raminhos, e folhas que já não existem das árvores de folha caduca, mas também pelas folhas das árvores exóticas, as usurpadoras sem culpa que tomaram este habitat...
Olhando para trás vejo o bosque nítido e bem formado, olhando para à frente vejo a contra-luz e apenas as formas, serenas e quietas bem ou não delineadas, se são assim essas formas!... A Rubus encavalita-se, sobe-se a si mesma e precipita-se para cima, para os lados, para... expande-se na dominância e dominando mesmo o baixo estrato florestal e sufoca as pequeninas plantas que já não mais espaço têm, e partem, e disseminam-se noutras terras livres e airosas, para prosseguir um ciclo, ou mais um e outro, e por aí fora. Mas deixo a sensação outra vez tomar conta de mim e do meu corpo, e até os cheiros e odores, fundem-se numa experiência própria e única para meu deleite, quase uma união abraçada, ou um abraço caloroso e apertado que tanto faz bem, ... e o tempo pára, e será que parou? Aqui no bosque misterioso, no bosque...

Vale de Cabeda
by Rui Faria
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