quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

wild spirit (portugal-horses)






A emoção do espaço livre é uma pura liberdade, é uma rota de múltiplos destinos incertos no ambiente redor, livres são aqueles que percorrem as terras a galope deixando nada mais que o rasto de poeira na traseira e a emoção de viver. Cavalos a galope pelo monte, acelerados e fugidios, mas com o ar de nobreza, se ao pararem nos olham com a crina levemente empoleirada sobre aqueles lindos olhos negros... fico enfeitiçado, por esse olhar terno e com sabor bravio,... mantenho a distância, mantenho a calma e o coração acelerado, corro pela mente e me embalo na manada e no campo de ervas encurvadas pelo sabor da brisa amena e pela visão de terras distantes, por animais presentes e por esses cavalos corredores. Mas aquela égua, pára elegantemente no prado, e em câmara lenta rodopia o pescoço e a linda crina negra, enfeitiçando-me novamente, estarrecido que fico pelo olhar penetrante e pulsante daquele ser bravio, daquele possante animal, daquele estado parado no tempo, momento incógnito, de uma visão soberba e brilho da soma do animal e a montanha.

by Rui Faria, montanhas de Fafe

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

amarelo, flor e gota...


Bem, o amarelo, sólido e impávido, no entreabrir daquelas flores bonitas e cheirosas, na manhã de orvalho, fresca e nublada, com a humidade ao rubro, e as gotas frescas e transparentes que se arrastam pelas pétalas e se tentam precipitar no abismo minúsculo do arbusto... É o amarelo amarelado espelhado pelo líquido babado, pela ternura da imagem que se entrega na união de dois tons. É a flor na floração, é a flor...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

dunas paramos


Um pequeno reduto dunar ainda incrivelmente bem preservado a sul de Espinho e a norte de Esmoriz, com um esplêndido matagal de madorneiras Artemisia campestris em areias compactadas e antigas que ao mesmo tempo abriram a porta à fixação de fetos, musgos, líquenes e outras plantas pouco habituais neste meio dunar. O primeiro lance de dunas como podemos ver na imagem é fortemente influenciado pelos ventos atlânticos e de certa forma pela intensa pressão antrópica sobretudo nos meses quentes. Mas é uma lance como estava a dizer, com plantas altamente específicas que só aqui se encontram, aquele chamado grupo de exclusivas deste habitat,...
Mas sem dúvida que o destaque vai para as madorneiras antigas e lenhosas que prosperam na duna secundária, um dos mais belos que já vi em toda a costa norte de Portugal.

domingo, 27 de dezembro de 2015

a Tipha


Zona pantanosa, e terras húmidas, terras baixas da ria de Aveiro, onde as águas se acumulam e criam condições para a formação destes tabuás. Espelho de água invernal...


Eretas, estas possantes plantas criam refúgio para uma grande diversidade de aves como os anatídeos e outras como a galinha-de-água ou o galeirão, por exemplo.

sábado, 26 de dezembro de 2015

água cristalina


São as águas puras e deliciosas que percorrem no sabor das correntes os veios e rasgos da paisagem. Cristalina e transparente, é a água, com um borbulhar frenético, fruto do embate nas rochas, fruto do rebuliço e da rapidez de tais águas, que se fazem sentir sempre com aquele ruído característico e sonoro... Aquele som que me diz que estou muito próximo de uma corrente...
Humidade envolvente e salpicos de água, que as briófitas adoram, e crescem vigorosamente, saciam-se...
Mas a água límpida, é um manto de frescura que refresca, uma matéria,...
Água altamente oxigenada, água cristalina, água transparente,...

by Rui Faria

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Frio (SNOW)


O Inverno cai na paisagem e o frio instala-se, nada podes fazer para lhe escapar, ele procura-te e encontra-te. Provoca-te arrepios pelo facto de não estares adaptado às baixas temperaturas e adormece-te a face, mas pode "aquecer a alma". Na chuva que cai torrencialmente, ou nos aguaceiros que se abrem do céu e tão depressa se fecham, que hidratam os solos sedentos e que aumentam caudais e que podem devastar locais, e que podem molhar e que molham mesmo! Caminha à chuva sem impermeável e com a pele à mostra e não te esquecerás do poder que tens, e nem te preocupes com os resfriados, olha para o céu e desfruta. Abraça o inverno como um tempo presente, um tempo de agora, um tempo de regeneração da vida, governada e adormecida, onde as sementes e os animais envoltos e presos pela camada geológica da terra, aguardam pelas temperaturas amenas e o doce ar primaveril.
Mas o inverno não dá descanso às árvores caducifólias, e depois de muito outono, ventoso e chuvoso, que as deixa completamente despidas, compreendo, claro que sim, pois, além de todas as respostas em relação ao ato de perder as folhas, também há um que quero referir, sim há, porque as copas sem folhas são como balões furados, e sem atrito às fortes intempéries, passam pelos ramos e raminhos mais facilmente, e não danificam tanto a a árvore. "Mas então e as árvores de folha perene?". Foi apenas uma suposição, um dos vários motivos por que as árvores de folha caduca perdem as folhas, mas também não se pode esquecer que as árvores de folha caduca são o mais altas em maioria, que as de folha perene, à excepção de pinheiros e coníferas, e ora bem, sim, estes também suportam as piores intempéries que se podem imaginar, seja no orla costeira ou no alto das montanhas, seja até em locais expostos.


Mas o inverno é um manto frio e gelado que absorve a paisagem de tal maneira profunda, e com uma mudança, perpetrante na vida dos seres mais fracos que sucumbem, naturalmente, com a mudança das estações ou os que, por não serem fortes o suficiente, também perecem sob as duras condições invernais! Não que a península ibérica tenha locais onde o inverno seja altamente rigoroso, até porque em muitas zonas, sobretudo planaltos nortenhos, altas serras e as cordilheiras, impõem desafios na vida selvagem que os superam com diferentes adaptações e biologias, algo dir-se-à, de natural!


Frio que entorpece, frio que arrepia de novo, frio das temperaturas negativas, gelado, nevoso, chuvoso, calmo num dia ensolarado aprisionado pelas geadas...
Viva o frio!



Felizes dias de amor, saúde e paz. Não há escala para a bondade, e esta nunca é demais, recordai o resto da vida, e não só neste dia. Todos são importantes, amem-se e amem o mundo, cuidem-se e cuidem do mundo! Ele vos recompensará!

by Rui Faria

As imagens acima, foram retratadas no espetáculo cenário natural no complexo de serras do Marão.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

o verde, o musgo


Nos meandros do emaranhado desses ramos verdes e lenhosos, no sabor da claridade musgosa, oh que baga saborosa, que na imagem não aparece, mas não digo qual é essa baga gostosa, apenas vejo o verde do manto florestal e boscoso se me entranharem, e a luz da manhã clara se entranhar e se espalhar por todo o estrato e por todo o ambiente e entorno. Um retrato presente tridimensional abraçado e composto por toda essa matéria lenhosa, e com os lindos e belos tons verdes, que dizem ser da esperança, mas nem sempre se alcança, lindos tons esverdeados e pálidos, escuros e ou frios, no meio desses secos fetos que contrastam com essas cores, ora por certo... Verdes...
Ramos que se abraçam tatuados pela capa musgosa, e que capa! Diferentes espécies competem pela permanência nos ritidomas e materiais lenhosos ou geológicos, mas há uma que acaba sempre por se destacar e vencer tal competição. Vê a imagem, delicia-te com as curvas dos ramos...
by Rui Faria

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

trepadeira na Pinus



É no mega pinhal de Cortegaça, que esta trepadeira faz jus ao seu nome, e trepa pelo tronco rugoso do pinheiro monótono e da monocultura local. Dois registos de uma ave fugaz, mas que até se deixa ver com alguma facilidade, por arvoredos em habitats boscosos ou citadinos como parques. Na imagem acima, é notória a semelhança com os colibris, mas em vez de néctar, esta espantosa ave, vai em busca de invertebrados tronco acima ou tronco abaixo...




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

esplêndido bosque perene


É uma pequena mancha de beleza, este bosque mediterrânico com espécies de árvores de folha perene e como complemento a formação arbustiva adicional como a gilbardeira Ruscus aculeatus, no canto esquerdo. O sobreiro que tombou oferece agora uma série de nichos para outros seres, mas sobretudo para um bom poleiro a passeriformes.
É uma espécie de estrato florestal sempre verde, em que me apetecia referir a laurissilva, mas cá ainda falta o loureiro. Em todo o caso temos os magníficos adernos de porte arbóreo e os pilriteiros, sem contar com os carvalhos que dão um toque de frescura e variedade na mancha de sobreiros, uma boa parte deles, pequenas árvores. Certo que tentei transpor na imagem a beleza e a nostalgia deste bosque ao máximo, mas com o sol a erromper de nascente e a iluminar de forma radiante cada folha e cada raminho, é sem dúvida alguma deslumbrante... E o som dos passeriformes divinal no conjunto...

Vale de Couce
by Rui Faria

sábado, 19 de dezembro de 2015

Observar e Absorver (natureza)


Partindo à descoberta do coração dos lugares selvagens, com pouco mais que um simples equipamento, que me vai permitir registar aquilo que ali irei ver, mas sempre sem saber o que de facto irei encontrar. Lugares remotos, atrevo-me a dizer, mesmo lugares pequenos e com acessos, calcorrear caminhos facilmente e trilhos intemporais, de olhos postos na paisagem vegetal, o primeiro elemento que se mostra sempre e juntamente com a geologia. Olhar de cabeça baixa e procurando flores, parece desadequado no aproximar do equinócio de inverno, mas olha que as há, e que flores vistosas são essas dessas espécies já tão conhecidas por mim... No fim, é como se me maravilhasse de novo com essa flor, apesar de a ter visto centenas de vezes, é como se tivesse um ar diferente, um tom de cor diferente, mas também um porte diferente e variável influenciado pelas características microclimaticas e geomorfológicas do local. Começando de manhã na descoberta e na visão do espaço que me deixei levar, paro em cima de um rochedo, e contemplo, penso e imagino na formação florestal, nos contornos dos montes encavalitados, nas linhas das encostas, na forma própria das montanhas e o seu desgaste temporal. Imagino muitas vezes um pequeno montículo de areia numa praia, desgastado pela rebentação, e transponho esse exemplo de erosão para uma escala gigantesca que é esta que vejo agora, para assim muito facilmente perceber a erosão que estas montanhas sofrem no decorrer das eras.
Então contemplo novamente, sentado no penedo, e gentilmente olho de um lado para o outro... Absorver, mais que o ar que respiro, mais que o calor ameno, mais que o vento leve e suave, absorver... Ás vezes sinto que me faltam palavras para interpretar a visão do espaço, e os aromas que se conjugam, bem como os calmos sons da biodiversidade...


by Rui Faria

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

formação de galhas (Quercus robur)


Antes de adquirirem o tom acastanhado e o caráter lenhoso, estas galhas passam por uma coloração impressionante.


Do vermelho para o verde e finalmente para o castanho.


Única e exclusivamente nestes carvalhos, Quercus robur.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

a camuflagem do cogumelo


Ok, não é o propósito deste grupo de seres vivos o mimetismo ou camuflagem, mas no local onde o encontrei, posso dizer que é quase,...
No solo e na manta morta de sobreiros e carvalhos no vale do Couce.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

cogumelos alentejanos


Mais precisamente na região de Moura, de entre os azinhais e olivais, mais uma espécie de fungae vistosa e colorida, mais uma espécie que admito não saber o seu nome científico, mas deixo estas duas imagens bonitas desta espécie de cogumelo alentejano.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

fauna,flora e fungos ou só poesia?



Nos ventos da imensidão daquela paisagem, apareces enternecida na viagem da doce loucura, na viagem do tempo calmo e eterno, bucólico na esperança, ... "Espera, estou a fugir do lado documental da coisa e a embrenhar-me num lado poético que aprecio e que reflecte o meu estado de espírito, aliando a isso todas as minhas vivências no ambiente natural, ... Continuando":

Segues pela brisa do eterno calor, do sol quente e presente na vida louca e bela, do espaço vasto e dos lugares eternos e loucos, ... ,"Se calhar agora ninguém está a perceber nada do que estou para aqui a escrever!":

Fauna, flora, fungos, unem-se na paisagem para formar um conjunto interligado e de mãos dadas, onde a dependência é chamada de óbvia e natural para três reinos de seres vivos terrestres que vivem e perecem ao sabor das suas breves e únicas vidas. 3 reinos presentes uns nos outros e que vivem uns para os outros. Mas só a flora se mostra sem timidez, e a fauna se esconde, enquanto que para os fungos é preciso ter paciência, e esperar para ver a sua breve época de esplendor. "Agora está melhor? Mais natureza e menos poesia?":

Porque vens, na chuva precipitante, e no céu cinzento descolorido pelo tempo, que se apressa e que se adensa, e que desaba as amarguras da vivência, e tu e a tua experiência, aprendes, vives, ... " Eh pá, já chega Rui, o leitor quer natureza,..."


É assim o mundo maravilhoso da vida selvagem deste nosso recanto peninsular, na ponto ocidental do continente europeu. O mundo de maravilhas e segredos encantados, ali á espera ...

by Rui Faria, o meu muito obrigado pelo apoio!. Tanks for all your support!

domingo, 13 de dezembro de 2015

os olhos da pedra


Em uma serra de Loures, devassada por incêndios recentes, mas com uma diversidade florística rica e impressionante, no meio de uma geologia de carácter semelhante aos granitos lá do extremo norte do país. Estes nódulos, destacam-se pelos seus contornos esculpidos, por ação do homem?, ou por forças naturais?.
Fico o registo,...

sábado, 12 de dezembro de 2015

inside the watercourse (xisto)

No interior daquele ribeiro, que desce abrupta aquela encosta, escondida por uma montanha, escondida por dois montes que se encontram e que se olham um para o outro, no meio dos matos e das pedras soltas ou do solo húmido, suave e ao toque, silencioso. Água preciosa alimentada pelas chuvas do tempo invernoso, que humedece os lençóis freáticos e que esbanja cá para fora os excedentes, excedentes da pluviosidade, seja de que intensidade for!. Camadas e camadas geológicas desse leito são beijadas por esse liquido, abraçadas pelas curvaturas de uma formação antiga e dobras impressionantes, e que lá impulsionam a descida desse liquido, dessa água fresca e maravilhosa que desce como o serpentear das serpentes e das moreias, curva após curva, descida após descida, até se encontrar com um ribeiro ou rio ainda maior, e com uma força ainda maior, com uma história mais grandiosa. É emocionante o toque destas águas frescas e límpidas, o refrescar da face, refrescar a testa, e as mãos mergulhar, e saborear aquela água que vai estar sempre gelada. Penso para mim que é daqueles momentos antigos melancólicos, que rejuvenescem a alma e limpam de várias maneiras o corpo. Mas este curso de água puro será sempre aquilo que se mostra, e cavar-se-à a si mesmo, aprofundando ainda mais a sua geologia única e brilhante.


Geological detail in the bed of the small watercourse steeply descending the slope of the serra de santa justa.

Pormenor geológico de um ribeiro xistoso.
by Rui Faria, serra de santa justa (Valongo)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

cascata em degraus


Quero mostrar que estes nossos recantos são preciosos, que estes nossos ribeiros são belos e que estas nossas águas são inspiradoras. São eles, os bosques de carvalhos do atlântico noroeste, que abraçam ribeiros como este, e que os enchem de maravilhosas formas de vida que despoletam de todos os recantos. Fetos e musgos são os felizes usurpadores deste ambiente, encravando as suas raízes em cada centímetro de substrato disponível, molhado, seco ou húmido. Mas na verdade está sempre húmido, ora não estivéssemos numa das montanhas mais pluviosas do noroeste de portugal. Num território onde a água em super abundância quer ver-se livre do subsolo o quanto antes e alimentar todos esses sistemas de água que afluem pela região, e depressa se infiltrar nas águas salobras dos estuários e por conseguinte no vasto mar.

by Rui Faria 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

heterocera sp. no rio lourido



Desadequada a camuflagem desta borboleta noturna ao tronco de um amieiro. Na verdade estaria entre a casca e a madeira, refugiada e resguarda, sairá no cair da noite. Embora tem um padrão que será certamente mais adequado para um substrato de liquenes, e aí sim já se encontrará à vista desarmada, no entanto não se deteta à primeira. Mas é mesmo para isso que o fantástico padrão serve!

Rio lourido...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

emoção da natureza


Mais um passo, no calor daquela vegetação emaranhada, não dou e dou, porque quero dar, porque quero caminhar, porque quero ver e percorrer e saber, quero responder à minha ânsia de conhecer, o que irei encontrar no meio dessa vegetação, perguntas se farão, respostas, mais uma vez, ficarão, incógnitas escritas no ar, levadas pelo vento que abana os finos e delicados caules dessas gramíneas, num bailado tão antigo e milenar que é retratado nos mais lindos filmes e histórias com finais que sabemos ser felizes. E me deixa, o sabor do campo, e o campestre na mente, porque aquilo que ela sente, estará guardado outra vez na sua mente. Mais outro passo darei, mas oiço o restolhar desses caules secos por baixo da minha sola, aquela barulho crocante com sabor a verão, que vai por certo embalar a mente do senhor ou senhora leitor(a), sobretudo aqueles que se dão mal com este frio propício da época, e ambicionam pela época estival!
O som dos passos pelo trilho, e só os matos, agrestes, e tu onde estivestes, a olhar para a secura desse prado e desse campo, quente no encanto, pedra sobre pedra, que espreita e se destaca, visivelmente em tal prado, sobre as ervas balouçantes. Tantas e tantas vezes, abanadas por esses ventos intemporalmente, desde a formação e o nascimento, e no decorrer dos dias e noites, e na passagem lenta e calma do próprio tempo, omnipresente mas invisível. Calmaria nesse prado, se o vento ou a brisa cessam ou repousam, silêncio... Silêncio e calma...
Mas se eu disser que estou a suar em bica vai parecer desajustado a esta época outonal, mas mantenho-me fiel à ordem do texto e prossigo, olhando para o sol tórrido, apertando as pálpebras sensíveis, e com esforço prosseguir pelo ambiente quente e o equipamento colado ao corpo, é tudo aquilo que me move, e que me ajuda a registar fisica e psicologicamente a emoção da natureza...

E vocês perguntam, porque sou assim, o porquê de frases sem sentido, o porquê da mistura da poesia com a interpretação de uma imagem natural,... A explicação tem várias respostas, e a autenticidade é uma delas,... Compreender que faço parte de um mundo maravilhoso e interligado é outra, é outra que uma boa parte dos seres humanos se esquece e se remete ao individualismo, quando na verdade, somos seres de comunhão conjunta, seres familiares, seres de grupo e outros tantos, mas para mim, que sempre me aventuro em lugares remotos, com a solidão como sombra e a terra e o céu como porto de abrigo, só dessa maneira poderia transparecer um pouco das emoções, um pouco de uma perspetiva imparcial da vida, do mundo que é o nosso, e da vida selvagem. Estudar um comportamento de um animal às vezes não faz sentido, porque é algo que fica ali estagnado no bloco de notas, enquanto que esse comportamento é mutável e não se repete de forma simétrica. Fica gravado em minha mente como uma experiência, mas mais detalhado em vídeo,... Tudo isto para dizer, que se não vivermos as nossas próprias vidas somos meros espetadores dessa vida selvagem, que evolui, que é mutável, por razões óbvias, claro. Somos quase sempre uns empecilhos, fora da sua zona de conforto ,que das duas uma, ou nos subtemos às dificuldades da presença nos espaços bravios ou nos deixamos levar nas aventuras e nas descobertas. Quem já deu por si a caminhar por um trilho de cabeça erguida olhando para a frente, num compasso monótono de passo a passo, com os pensamentos da vida urbana sempre presentes,... Que é feito da aventura e do recolher de experiências?. Não vamos utilizar esses espaços, vamos antes desfrutar, aprender e cuidar. Mas se não souberes os nomes científicos, não importa, não deixas de ver espécies se não os souberes, não deixas de aprender comportamentos , não deixas de encontrar maravilhas. Embrenha-te e parte sem medos à descoberta! 
Mas este texto tão breve e delicado, esquece tanto por dizer, que só eu, tu e vós, poderão aprender, juntar, acumular e entranhar. Em todo e qualquer ambiente terrestre marinho ou aquatico, uma míriade de tudo, de tudo que mal cabe nas nossas breves e curtas vidas. Da mais grandiosa herança que nos foi dada: a natureza!

by Rui Faria 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

as bagas da Tamus


As bagas luzentes e encarnadas da bonita trepadeira Tamus communis, carnudas, presas nas hastes secas da planta que à muito perdeu as suas folhas.


E a mostra da disposição do grupo de bagas pelos caules da planta trepadora.

sábado, 5 de dezembro de 2015

hemiptero na flor azul


Na flor azul, naquela flor azulada, e tu agachada, se fores fêmea, porque se não, então a rima não faz sentido,... é apenas emoção, pela conjugação de cores, ou pela paleta que se apresenta, pelo azul que quase esconde o amarelo, mas amarelo que se apresenta ali, visível pelo canto do olho, mas fora de destaque. Afinal o destaque é para o percevejo, bonito invertebrado agachado na linda pétala azulada de tão bela flor ampliada. Bonita composição, bonita emoção, bonita e ...

by Rui Faria

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

o banho das rolas



Na pequena foz daquele riacho em Leça da Palmeira, este pequeno grupo de rolas-do-mar banha-se na água doce, nos seus afazeres habituais e diários, acompanhadas por dois pilritos.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Bravio no tempo




Nas histórias do tempo, perde-se num mar de histórias, contadas pelo próprio tempo, contadas por um sábio, que as absorve, que as digere, e que as prende nos confins de sua mente. Os dias passam iguais, mudam os cenários, muda o clima, as nuvens são iguais, mas os contornos diferem! Acima e abaixo, dois mundos que não se tocam, mas que precisam um do outro, do calor, que emana o universo, ou do frio que irrompe da noite, sob o brilho das estrelas omnipresentes. Momento em que há-de chegar a escuridão que fechará o momento estagnado desta imagem. Com a tarde, as encostas se ensombram nas costas do pôr sol descendente, criando arrepios do frio que se vai instalando e da áurea que se apodera de nós no desabar da tarde! A paleta de cores, quentes, se instala, e voando, voando, em sonhos eternos, em sonhos pelo mundo natural e as terras bravias. Mas vem a falta da fauna e pelos animais que se perderam, e que nós os perdemos, e pelas paisagens que vão seguindo vazias, quase sem sons, quase sem vultos nem sombras, nem presenças de tais animais possantes! 
Se bem que as aves, ainda nos brindam, sem timidez com os seus cantos melodiosos na manhã ensolarada, e nos poisos, e nos seus poisos!
São histórias que continuam por todo o redor, por todo o lado, e em toda a parte, muitas histórias já tiveram fim, outras têm o livro aberto, outras dependem de nós, e nós não lhes podemos dar um fim!
E novamente a imagem, que aperta, que aperta e estrangula as cores, deixando o preto e branco para já! Levando a humidade, as nuvens, para longe, para lugares incógnitos, para lugares,... quem sabe, para lugares, é certo, mas para lugares, simplesmente!
E depois desço a encosta escura, com o olhar nas estrelas que se pontilham no alto céu astrológico, com o olhar nelas e elas em mim, e a lua já nem sei dela. porque miro os montes sem fim, porque miro as encostas à minha frente e o caminho longo que tenho de percorrer de regresso, e com o dia que se foi e a noite se instala. A leve brisa continua a arrepiar, e embora queira ficar por aqui, terei de ir embora, terei de descer a encosta no manto escuro, e das árvores apagadas. A solidão é marcante e profunda, no silêncio acompanhado pela brisa, e só os passos acordam na realidade, do caminho que percorres, não, que percorro! Noite, estrelas, brisa, e uma imensidão de montes e montanhas, os altos dessas montanhas e as suas encostas suaves ou abruptas, mas no norte, acrescento ainda a estas palavras o granito. Geologia, marcante das paisagens nortenhas, geologia peculiar, curiosa e engraçada! Histórias de uma vivência melancólica de um descer de encosta peculiar e único.

by Rui Faria