domingo, 29 de novembro de 2015

solo do pinhal


Por terras de Vizela, as serras são graníticas e ásperas, proliferam os matagais e os eucaliptais. Os pinhais de origem antrópica ou de regeneração natural pontilham aqui e ali e de vez em quando adensam-se. A imagem acima é alusiva disso, os pinheiros bem juntinhos e a abundância de agulhas caídas no solo.

sábado, 28 de novembro de 2015

Garrano e maronesa


Desde os primórdios que estes dois grandes herbívoros povoam os habitats naturais da península ibérica, sob formas e colorações muito aproximadas às que temos hoje nestas variedades descendentes. Obviamente que as espécies puras de equídeos e bovídeos já se extinguiram à muito, mas os seus descendentes preservados pela mão humana, podem e continuam a desempenhar o mesmo papel que durante milhares de gerações exerceram sobre estas maravilhosas paisagens ibéricas. Pouco ainda se sabe sobre a biologia destes animais, mas isso estará selado num passado que já não mais existe. Para quem quiser saber mais sobre as espécies de grandes herbívoros ibéricas, pode dar um saltinho neste blogue, com informações muito completas sobre o tema: http://tierrasylvana.blogspot.pt/


Dois possantes animais, representados nestas imagens no seio de um pequeno bosque de carvalho-negral no alto Minho, pastando tranquilamente e vagarosamente deslocando-se pelo terreno em busca de plantas mais suculentas. 

by Rui Faria

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

nervuras folha salgueiro


Nas dunas interiores de Silvalde, despontam pequenos salgueiros Salix atrocinerea, em depressões mais húmidas e encharcadas durante os meses mais pluviosos.
Um pequeno destaque das nervuras da sua folha prestes a desprender-se do ramo, e da bonita coloração amarelada e as pintinhas que se apoderam da folha.


Silvalde (Espinho)
by Rui Faria

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

hemipteros - mimetismo com a flora


Nos diferentes habitats e nos períodos mais quentes do ano podemos encontrar uma enorme variedade de percevejos. Estas imagens são exemplo do fantástico mimetismo que estas espécies apresentam. Desde as mais coloridas, até tons verdes e acastanhados de acordo com a vegetação local. Seja flores, folhas, ramos, ritidomas ou troncos, manta morta, bagas,... , todo o local ou habitat, apresenta diversos tipos de hemipteros. Muitos mais gostaria de vos mostrar, mas fica para publicações futuras. Entretanto regalai os olhos com a fantástica camuflagem natural destes insetos.

~

Tronco com líquenes de um salgueiro.


Ramo de salgueiro, Salix atrocinerea.


Herbaçais.


Pistacia sp.


Tamarix sp.


Folhas de carvalhos no solo florestal.


Bagas verdes de sabugueiro, Sambucus nigra.


Folha de Quercus robur.


Gramíneas sp.


Folhas mortas de carvalho-alvarinho.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

diptera e o parasita


Até esta pequena mosca não escapa ao parasitismo de um invertebrado ainda mais pequeno. Carrega o encarnado bichinho cravado no seu abdómen, para qualquer lugar. 
Região do baixo Vouga lagunar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Quercus robur (Oak forest)


                                                   Folhas caídas dos carvalhos atlânticos.
                                                   Fallen leaves of the atlantic oaks.

~
Copa do grande carvalho-alvarinho e a sua ramificação.
Oak tree canopy and its branch.


domingo, 22 de novembro de 2015

"escombreira natural"


Fora dos locais mais selvagens e remotos, e intactos do interior do país, não é muito fácil captar imagens com um aspecto "virgem". O que eu quero dizer com isto é que em primeiro lugar estamos num território humanizado e fortemente alterado desde à milhares de anos, mas é possível no entanto encontrar pequenos lugares que nunca foram intervencionados, porque simplesmente o homem nunca viu nesses lugares oportunidades do seu quotidiano.
Esta imagem em particular captei-a na subida para o alto do Talefe na serra da cabreira, e já a quase 1000 metros de altitude, dirijo o olho e a câmara em direção à encosta, em frente à que estava situado. Sentado num pequeno rochedo intriga-me desde já a formação dessas abundantes pedras dispostas muito aleatoriamente pelo local, dispostas de tal forma que mais parecem escombreiras de uma pedreira ou mina. O facto é que felizmente nunca houve nenhuma dessas empreitadas no alto e só as eólicas poluem a paisagem. Mas claro que falar de virgem, é uma jogada arriscada, porque se assim o fosse, essa encosta estaria hoje coberta por um esplêndido arvoredo constituído por diferentes espécies de árvores montanas, o que não é o caso. Mas não posso deixar de pôr nessa equação a erosão milenar fruto das atividades tradicionais dos povos primitivos que utilizavam esta serra, e também as glaciações documentadas que certamente influenciaram a disposição e o formato da geologia da imagem.

sábado, 21 de novembro de 2015

serras do alto minho





Bravura e paz, com esperança de alcançar o estado puro da natureza, e na montanha vaguear em busca de um presente existente, em busca daquele pedacinho que me falta ou para completar o que já tenho. Experiências não são demasiadas, e a sabedoria vem sempre com elas. Solidão às vezes impera, mas a saudade de cá e lá é forte, a saudade daquilo que nos marca também, mas isso nunca se apaga. Tudo se entranha neste ambiente, os raios solares baixos do sol que se põem mais rapidamente, no outono, que aquecem a face, e iluminam rasteiramente, as encostas, mas também deixam na sombra outras tantas, guardando aí as gotas do orvalho matinais. Visivelmente aos nossos olhos como cristalizadas, essas gotas frias depositadas por entre as plantas, e por entre os trilhos e caminhos.
Sem árvores, a serra agreste é fustigada por tudo, por todo o tipo de fenómenos naturais e só há abrigo junto dos penedos graníticos.
Pernoitar no frio montano, e absorver os sons silenciosos da noite, oh, que experiência maravilhosa e enriquecedora, oh, que horas bem passadas a contemplar as estrelas brilhantes lá no céu, que regalam  os nossos olhos, uma paisagem tão bonita e maravilhosa, escura, mas brilhante.
Mas antes da noite continua o lento instalar da escuridão, e o frio, oh, este frio montanheiro tão agradável, e que se entranha no corpo!
Mais uma vez num estado puro e simplista, caminhando pelo trilho dos herbívoros ou a corta-mato, mas indiretamente contemplando o pano de fundo serrano, que regala a mente, e me diz que mesmo na presença delas, dessas serras, aqui estou eu do lado de cá, mas junto delas. Faz sentido? Talvez, mas é melhor ver de longe do que nunca ver, é melhor sentir, do que nunca sentir, e é melhor ter, depois perder, do que nunca ter tido! Bem, isto já saiu ao lado da montanha, mas está presente em todas as formas e sentidos da vida, sentimentos e coisas. 
Porque nunca se esquece que a natureza, assim chamada, ali está, sempre de braços abertos. Com uma panóplia de segredos guardados, que só os mais tenazes os desenterram, que só os viajantes que percorrem recantos uma e outra vez, que se sentam e contemplam, que apreciam, e que vivem, num estado real os descobrem. Olhar e ver, sentir e tocar, mas nunca ser olhado, disso podem esperar, disso posso esperar, aqui, neste alto de montanha, ou num qualquer alto.   

Serras do Alto Minho.
by Rui Faria

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

coração em pedra


No leito do rio Corgo, ...
A imaginação é uma arma poderosa!, e se eu me enganava na preposição do título, substituindo o "em" por "de",...
Mas não, o meu é mole, ...
Perceberam? Ou não?

nota: captei esse ponto geológico tal e qual como está, sem lhe tocar!

by Rui Faria



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

liberdade da montanha


Na montanha, vejo que as encostas se debruçam pelas linhas e matagais, envoltas na liberdade, liberdade de uma paisagem solitária e vazia, paisagem silenciosa e ventosa, paisagem vasta, grande e incrível. Correr por estes lugares descendo a encosta e saltando de rocha em rocha é uma experiência nostálgica de comunhão e paz com a terra e a natureza. Sentindo os elementos no corpo e na mente, e viajando para um lugar onde à muito nos desabituamos de ver e sentir, prazerosamente e sem segundas intencões, trabalho ou lazer. Porque procuro o sossego da montanha acima dos vales? Porque o silêncio destas paragens é arrebatador? ...
Não sei, e sei, porque só solitariamente se consegue compreender às respostas profundas e às perguntas várias. Sentando e reflectindo, apreciando cada ser vivo e cada planta e mesmo as texturas do meio orgânico e inorgânico.
Às vezes sento-me e observo, e entranho, desligando-me do tempo, mas presente no espaço. E depois? Depois, exploro, exploro recantos aqui e ali, procurando o novo, um inseto que nunca vi, ou uma planta com um porte diferente, ou uma fotografia única com uma textura bizarra, ou mesmo acasos da natureza e do meio. É assim resumidamente que  me maravilho nas terras altas, sem perturbar, mas antes fazer com que pertença ao local e senti-lo profundamente e respeitá-lo! Deixo pegadas, mas levo memórias, deixo a respiração mas levo experiências, mas no final deixo esses lugares porque assim tem de ser. . .

by Rui Faria
na serra do Marão.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

fungo tangerina


Na encosta da serra de santa justa sobranceira ao vale de Couce, este fungo maravilhoso maravilha-me com a sua cor e sua textura. Brotando de um tronco de um pinheiro que ardeu à muito e que agora serve de criação para esta espécie incrível de fungo.

Eu sei que é importante a inclusão dos nomes científicos, mas dado que não é fácil encontrá-los, deixo-vos na mesma estas belíssimas imagens e uma breve descrição sempre que possível.

Um muito obrigado pela vossa atenção a este espaço criado por um naturalista amador que não pára de se surpreender com o mundo natural da terra onde nasceu: Portugal.
by Rui Faria

terça-feira, 17 de novembro de 2015

abelha na Dittrichia


A floração desta espécie de planta da família Asteraceae, atrai inúmeras espécies de insetos, e com o seu carácter ruderal encontra-se largamente espalhada por uma boa parte do território. As suas flores amareladas são um chamariz para está espécie de himenóptero. Mais uma das centenas e centenas de espécies de abelhas que povoam os habitats naturais.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Woodwardia radicans


Poderia dizer que é nas zonas mais remotas e inexploradas do nosso único parque nacional que se poderia encontrar este extrordinário feto raro em território luso, mas não, e foi junto de uma estrada nacional que captei esta imagem e me comovi com um cenário de grande beleza, de caráter antigo e primitivo. Do lado esquerdo vegetam esses magníficos fetos, e do lado direito as aveleiras, ensombreando o frio ribeiro montano. Nesse final de tarde, o ambiente é nostálgico, frio e húmido, a brisa montana junta-se a tudo isso, apenas intrometida pelo ruído dos automóveis. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Argiope bruennichi


É nas zonas húmidas do centro que este aracnídeo de generoso tamanho também habita. De cores garridas e chamativas consegue assustar até o maior dos especialistas em insetos! Tal como muitas outras centenas de espécies, aguarda no centro da sua teia, até que a presa incauta venha até ela.

sábado, 14 de novembro de 2015

Peneireiro peneirando


Numa encosta suave da serra da cabreira, no início dessa tarde ensolarada, este peneireiro tenta a sua sorte na encosta suave e herbosa, fruto da acção do pastoreio de caprinos e equídeos.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

penedo-castanea


Penedos durões, na vastidão da serra portentosa, que longa é a encosta, abrupta, desce do alto com as pedras gigantes no encalço.
Sozinho na vastidão da montanha, de um lado, e a sul, olhando para aquela beleza imaculada, distante, e sem lhe tocar, observando os vales rasgados na paisagem e o verde que se espalha em todas as direções. Observando e pensando como é difícil percorrer cada recanto e cada fenda desses penedos abruptos, apenas para desbravar novos locais e caminhos, porque a flora é a mesma.


Daqui, a mancha dos castanheiros, impera na paisagem com os seus tons castanhos e amarelados outonais, erguem-se majestosas árvores seculares, com marcas das agruras da vida e dos incêndios que varrem constantemente estas encostas.

Da serra da cabreira, mirando o mundo rochoso da serra do gerês.
by Rui Faria

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

rana camuflada


No riacho de águas límpidas, evidencia-se a incrível camuflagem da rã-ibérica. De tons muito semelhantes aos pequenos seixos polidos e sarapintados.

domingo, 8 de novembro de 2015

Líquen ao pormenor (laranja)



Este já tem um aspeto mais rústico e robusto. Encravado nas diferentes rochas, num material duro e difícil, exibe-se com esta coloração.


Este expande-se em forma de círculo, mas parecendo que são hastes individuais, que nunca se tocam, fantástico!

by Rui Faria




sábado, 7 de novembro de 2015

Líquen ao pormenor (Vermelho)


Este grupo de seres vivos não costuma ser muito vistoso por estas bandas, mas na época propícia, esta espécie brinda-nos com este vermelho garrido, e estas formações nas hastes em forma de almofada.
Ampliada a imagem, é mesmo curioso ver e tentar perceber o propósito dessa formação encarnada.


Estes acima já são mais pequenos, em formato mini, mas espantosos, revelando ao nosso olhar o mundo secreto deste magnífico grupo de seres vivos.

by Rui Faria

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

pequenos cogumelos (granito)


Nesta serra granítica em Figueira (Penafiel/Sobreira), afetada várias vezes por fogos, o solo é rústico e de carácter granítico. Esta rocha encontra-se facilmente à superfície, pelo que a flora tem de ser também ela rústica. Proliferam os matagais de urze e tojo, mas nos penedos mais rasos, onde se dá a sucessão de plantas a começar pelos musgos, brotam estes pequenos cogumelos. Praticamente a única espécie existente no solo pobre.


Estes aqui, crescem aos grupos e expandem-se, dando alguma cor ao solo pobre de musgos e pequenas plantas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

conto da gaivota


Viajante oceânica, sempre acima da ondulação sempre em mares e oceanos, poisando em terra, quando o cancaço impera, e o repouso urge, é tempo de asseio, limpeza da penugem e das penas de voo. Gaivota, que pintas os céus, nos cenários bucólicos do nascer ao pôr do sol, cenários ás vezes pintados com a tua silhueta em forma de W, mas na realidade visivel, de toda a orla costeira. Viajante com rumo e sem rumo, percorres quilómetros sem fim em busca de melhores condições e alimento em abundáncia, voando e planando sobre mares calmos e mares revoltos, ás vezes atordoada por ventos fortes, ás vezes divertes-te com esses mesmos ventos que te empurram e te levam pelo ambiente, e tu so te deixas planar, guiar e voar, voar mas pouco. Em bandos gostas de estar, na companhia de dezenas centenas ou milhares, iguais a ti ou de espécies diferentes, aparentadas ou de outros grupos. Na companhia desses e deles, descansando, repousando e limpando, mantendo essa tua máquina pronta para a aventura da vida e pronta para as agruras do oceano, e do sal corrosivo. Para isso te banhas nos estuários ou desembocaduras de grandes e pequenos rios, ali repões as tuas energias, e até podes aproveitar oportunidades de alimento esporádicas que possam surgir. Pois esses rios, podem trazer oportunidades do ambiente terrestre.
No meio da praia estás sossegada, e mesmo que não te sintas pressionada, és capaz de levantar voo ao sinal de alarme das tuas companheiras, perturbadas, por algum sujeito e tu levantas voo como resposta à dinámica do bando, como defesa ou instinto, como proteção, e poisas logo que as outras poisem, ou quando o perigo estiver passado.
Duas grandes viagens fazes todos os anos, com a promessa de encontrar abundáncia e condições mais favoráveis tanto na ida como na volta, mas na realidade não tens ida nem volta, e o teu território é o norte e o sul, por isso não se diz ida nem volta, pois pode sê-lo e de facto o é para ambos os lados.
Segues a costa linear, e consegues e avanças pelas grandes massas de água do interior, indiferente à passagem do ambiente terrestre, ou por vezes seguindo o curso dos rios até montante. Divides o teu tempo entre lá e cá. Mas é na costa que pertences, é na costa, que os teus sons se projetam pela ar espirrado e salgado, pelo meio do som da rebentação ou pelas ondinhas que levemente embatem nas areias ou nos rochedos. Tu que nesse rochedo te encontras na subida da maré, estarrecida, deixada pelo descanso, e presente. Mas atrai-te a maré baixa, e nesses baixios também descansas. Mas quando vem a fome és generalista, e aproveitas o rebuliço pesqueiro do Homem, oportunista, vês uma oportunidade fácil de conseguir peixe, sem dispender muita energia. Com isso, formas mais uma vez um quadro clássico, tu e o teu bando, barulhento, seguindo o modo de vida tradicional pesqueiro daqueles homens. E a par da sua benevolencia, que sempre tolerou a tua convivência.

by Rui Faria- algures na costa norte de Portugal

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015

teia de madeira


Teia de madeira, teia de paus, preso em tudo e preso em nada, como ossos defeituosos, e pedra terrena, estendida para lá da verdura, ligada por nós de aventura, enrolada e desenrolada, aquela madeira, aquele pedaço nodular, cinzento, frio e escuro, da cor da pedra e igual a ela.
Teia defeituosa e aleatória, sem rumo nem sentido, mas sentindo a aspereza da pedra rugosa, sentindo um toque distante, mas perto. Dois materiais diferentes, ou duas matérias em estados diferentes mas presentes no mesmo espaço. Com a guarida do verde, que se acerca do horizonte visível daquela pedra terrena.

Pensamentos ou mil e uma interpretações de uma imagem, de uma urze sem folhas sobre uma pedra de granito!
by Rui Faria