segunda-feira, 31 de agosto de 2015

vista para nordeste (Marão)


Sinto falta das Águias-reais, apesar de nunca as ter visto por estes lugares. 
A imponente vista que se observa do alto das falésias do Marão é de cortar a respiração! 
O abundante caos de blocos e penedos largos e compridos assente na paisagem alti-montana.
Os matagais de urzes e carqueja a perder de vista.
 O significado de montanhas, nunca esteve tão emergente, e é palpável.
Bem vindos à serra do Marão!

domingo, 30 de agosto de 2015

eu / iberia e a leuzea longifolia



Continuo pelos montes de Portugal em busca de animais e plantas, ao sabor das estações e do clima, o que encontro em cada época diferencia-se, destaca-se! Depois de ter vasculhado e estudado milhares de locais por todo o país, com maior incidência na zona norte e centro, é cada vez menos frequente aquela magia de encontrar um habitat novo! Mas por cada habitat novo que encontrava vinha sempre um "uau" ou "caraca" muito usado pelo povo brasileiro, mas que expressava a minha alegria em encontrar lugares, que no seu todo são prístinos ou que estão ainda a o ser! Mas talvez esteja a ser um pouco preguiçoso nesta escrita, porque a verdade é, que em cada percurso que faço, abre-me caminhos para outros tantos. Quem me conheçe sabe que tudo aquilo que conquistei e descobri foi á boleia de uma, a duas bicicletas, que me levaram para um mundo de liberdade e altamente prazeroso, nada fácil de explicar em pleno para aqueles que pela primeira vez me perguntam. Mas as duas rodas estão em segundo plano, são apenas um transporte, e que graças a elas foi-me possível encontrar muitos recantos que de outra forma ou transporte seria impossível. O estudo e o registo documental de seres vivos ibéricos e formas geológicas é meu principal foco, ainda que o considerem amador. Mas que vai evoluindo e se consolidando com o tempo! Sou generalista, e o mundo natural para mim, mostra-se num grande puzzle, se bem que hã alturas em que estou mais seletivo ou concentrado, como agora, na flora, procurando raridades e preciosidades botânicas, mas sobretudo tenho agora uma visão diferente da distribuição de certas plantas. E é aqui que entra a Leuzea longifolia, uma planta que vim primeiro a conhecer pelas mãos da micro reserva da Quercus em Leiria, mas que devido a um esforço de conhecimento de novos locais acabei por descobri-la (ou redescobri-la) em duas novas populações para norte , Cantanhede e Vagos respetivamente. Mas não é só, porque tem várias conclusões, algumas das quais não vou mencionar aqui, mas uma delas é que , assustadoramente, é a forma como as plantas se tornam raras, como desaparecem da vista e dos locais noticiados e referenciados por aficionados desde sempre, e não são mais ou menos interessantes pelo facto de o serem (raras). Mas claro, e porque é que algumas são mais bem sucedidas que outras? Isto é, porque a Erica scoparia prolifera e a Leuzea espalha se em grupos de algumas dezenas de indivíduos?, quando partilham os mesmos locais ou o mesmo tipo de solos e composição florística.
É preciso também reflectir no tipo de terreno, olhar bem para ele e deslindar se houve alteração do solo, e até que ponto! E depois juntar-lhe em pensamento, elementos já extintos como os grandes herbívoros. Em facto, é isso que eu faço na altura de captar imagens no estado natural puro!
Dezenas de milhares de hectares de eucaliptais e casario, tornam a tarefa hercúlea, mas faz-se o que se pode!, com muito amor e dedicação!


Leuzea longifolia /Cantanhede

by Rui Faria - porto/Portugal

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

face do Líquen


Na serra de Loures, a vista abarca todo o rio Tejo, Lisboa e até o parque natural da serra da Arrábida e as suas vastas serras calcárias. Aqui, a flora não poderia ser mais marcante, mediterrânica no seu todo, mas com componentes atlânticos intrometidos e bem estabelecidos como o Pteridium aquilinum.
E a face do Líquen, deu-me uma boa imagem ou registo de um grupo que se revela diverso, encrustado nestes penedos, na sua forma de vida simples e direccional, tal como as plantas, mas quase imortais e imóveis.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

cegonha-preta no centro


Mais vale tarde que nunca, de facto esta imagem é do dia 27 de agosto de 2013, mas nunca esqueci o facto de ter visto 2 cegonhas-pretas entre um bando enorme de cegonhas-brancas. Neste pântano com ligação a sul da pateira de fermentelos, tive de ser matreiro, para as conseguir fotografar, porque qualquer barulho ou movimento que se destacasse no silêncio do local, as faria levantar voo.
É um orgulho poder assistir a espectáculos naturais desta tipologia, à la África, onde a palavra animais já tem algum significado.

Ciconia nigra

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Corema album ao detalhe!


No pinhal de Cortegaça, o verão impele um dos odores mais singulares destes sistemas arenosos.  
Os próprios aromas do pinhal são indistinguíveis mas o deste arbusto está em outro patamar. Com as suas bagas brancas, polpudas em parte, brilhantes por outra, não escapam aos olhos dos vertebrados. Mas agora, que escrevo isto, estou a pensar no porquê da sua coloração branca, e desculpem-me se estiver enganado, mas, no momento não me está a ocorrer mais nenhuma espécie ibérica com bagas brancas (mas vou investigar!), o que é certo é que terão um propósito ou vários.



Vista "aérea" da formação arbustiva.



 O tamanho das bagas da camarinheira
comestíveis e a sua proporção na palma da minha mão. Abaixo as sementes que se encontram no interior do invólucro branco e do líquido semi-açucarado.



by Rui Faria, em pinhal de Cortegaça

domingo, 23 de agosto de 2015

Rana iberica em agosto

Agosto, e pequenas rãs desta espécie única e endémica da península ibérica, pululam pelas margens rochosas e apertadas do rio Arda. Com os seus tons castanhos, estas pequenitas não são fáceis de encontrar na linha entra a água e pedra, mas como resposta ao observador que as procura, elas apressam-se a esconderem-se sem mãos a medir! Um ícone dos rios mais límpidos do noroeste ibérico.


sábado, 22 de agosto de 2015

O carvalho rei!


É ele, o nosso carvalho-alvarinho, com a alma no Gerês, erudito em Calvos, abundante no Bico, relíquia no sul, e maltratado no norte atlântico, esse nosso carvalho faz-se só disso, muito especial!
Seja pelo tamanho que é capaz de alcançar ou pela abundância de formas de vida que sustenta! Já os celtas os veneravam religiosamente... sem dúvida... belíssimo!...
Quercus robur, rio Arda 
by Rui Faria


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

no barranco da foz do Ardilla


Acima prosperam os montados de azinho e os olivais, mas aqui neste barranco apertado e vertiginoso em forma de garganta, nele refugiaram-se numerosas plantas, que à partida lá em cima seria muito difícil a sua sobrevivência, como é o caso da gilbardeira, Ruscus aculeatus.



pega-azul (Cyanopica cyanus)



Pormenor geológico do barranco.

fragas da foz do rio Ardilla



Barranco, margem esquerda do rio Ardilla. (Ardilla, foz no Guadiana)
by Rui Faria


terça-feira, 18 de agosto de 2015

O INCRÍVEL Pica-pau-verde.

Picus viridis

No trilho de acesso à serra granítica de Figueira, extasiado fico por compreender pela primeira vez o tamanho e as cores desta magnífica ave florestal, triste fico, porque esta, acabaria por morrer momentos depois!

domingo, 16 de agosto de 2015

o amor de pilritos e a moreia



Estamos no final de Maio do corrente ano, e nesta costa dunar rectilínea a norte de Praia de Mira, dois transeuntes alados chamam-me a atenção naquele final de tarde,...
Sozinhos na vastidão isolada da praia deserta, olhando um para o outro, fazendo adivinhar o que iria eu observar logo de seguida,...
Treinos? acasalamento?, por certo efetuaram várias investidas amorosas, mas eu não deixava de pensar o quão longe estão dos seus territórios de nidificação no Ártico, e que para lá certemante se dirigiam,... Não me posso esquecer que faltariam escassos dias para a entrada do més de junho, mas compreender queria, acerca das condições climáticas do território que as espera, porque enquanto não perceber (e por certo não vou conhecer) como estaria o Ártico nesta altura, continuarei com aquela pergunta inocente na mente: porque ainda estão aqui? Mas a natureza e os seres que a povoam não têm de ser lineares, ...

São momentos de prazer e de vida selvagem que nunca se esquece, ainda para mais com um cenário magnífico!


E agora entra a moreia!




Na pausa de toda aquela atividade no casal, este ou esta aproxima-se da carcaça de moreia, procurando invertebrados por entre a matéria em decomposição do animal morto. Mais uma vez brinda-me de belíssimas notas comportamentais que vão muito além daquilo, a que nos habituamos a caracterizar e todas aves, apenas os padrões de vida mais comuns, migração, reprodução e coloração!
Mas eu não me limito observar aves ou a "colecioná-las", mas antes ser um intrometido (com carinho, porque respeito a vida destes seres!) e compreender e estudar a sua vida íntima, e a sua eterna e mutável complexidade com o mundo natural. 


by Rui Faria





sábado, 15 de agosto de 2015

pinheiro C


Já é sabido que as dunas holocénicas foram florestadas sucessivamente por um ideal de um povo que já não mais existe mas que ainda vive escondido entre nós. A necessidade de fixar as areias e a vontade para o fazer foram de tal maneira grandes que resultou em dezenas de milhares de hectares de plantações no que outrora foi um deserto. Um feito que bem poderia ser motivo de orgulho para aqueles que dificilmente conseguem encontrar ou não querem, motivos para amarem o seu país!, pleno de maravilhas naturais.
E as dunas holocénicas, portanto? O que de especial têm? A sua vastidão, o significado da sua conquista ao mar e a ampliação da linha de costa, e outros,...
  É, possivelmente um dos únicos exemplos a nível mundial de um habitat pobre e desértico, ao ser transformado numa zona verde mais rica e biodiversa, mas nem todas as matas atingiram a riqueza e a biodiversidade que os naturalistas esperariam, e se por um lado temos a magnifica reserva natural de são jacinto (R.N.D.S.J.) com a sua flora diversa, ou a mata de Leiria e de Quiaios, por exemplo, temos do outro lado, a ganância (talvez seja uma palavra forte) que levou a fixação de espécies exóticas como as acácias e chorões, que vai ganhando terreno, nestes terrenos favoráveis que são as dunas. 
Vou-me situar por exemplo na mata gigantesca de Quiaios, num talhão aberto com um aspeto muito natural, de matos diversos e pinheiros isolados, imaginando como seria este lugar sem as plantações antrópicas- um vasto deserto de areias douradas estende-se longínquo em todas as direcções, grandes montículos de areia dourada a que chamamos dunas dispostas de tal maneira enfilada ou em fila que só do ar se apreciaria todo o esplendor de tal formação! Pequenos oásis de vegetação, como pontos pulsantes, emergem por entre o mar de areia e as árvores seriam relíquias, uma bênção para um hipotético viajante sedento, descansar à sua sombra num dia de calor abrasador.

Claro que toda essa belíssima paisagem ficou entupida pelas plantações, até quando nós considerarmos que vale a pena mantê-las, a partir daí, só me resta a mim, procurar o que aqui se fixou, as aves, os insetos, a camarinheira, e os bonitos fungos de outono! Maravilha!

E quase me esquecia de foto acima - a natureza, mais uma vez em jeito de brincadeira, vai-me fazer contorcionismo no tronco deste pinheiro! Hehe! Porquê?  Recuemos até ao dia em que ainda era um pequenino pinheiro exposto à força dos elementos, e depois como num filme, aceleramos as imagens e voilá, sai um pinheiro C!

Obrigado a todos pelo apoio!
by Rui Faria


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

corte do caminho (fungos)

Na subida para o monte granítico em Figueira, uma breve humidade despoleta o crescimento destes fungos circulares, agora em fase de secura devido à escassez de humidade do crescimento do dia e ao aumentar das temperaturas.



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Chioglossa lusitanica


Em qualquer regato de média montanha, na proximidade de pequenos bosques, ou em locais à muito abandonados pelo homem como as minas, são uns dos locais onde este anfíbio prospera.

Minas da serra de Santa Justa (Valongo)


Um dos nossos tesouros ibéricos.
One of the most rarest amphibans of the iberian peninsula.
by Rui Faria

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Pancratium maritimum

Se as flores dunares são vistosas, então esta enquadra-se nessa palavra, porque de já tão banal que é e reconhecível esquece-se a beleza e a emoção de ver esta planta numa primeira vez,...


Parece-me no meu subconsciente uma flor desenquadrada deste país, uma flor que só deveria existir em locais paradisíacos ou em ilhas tropicais,... 


Mas esses fundamentos do subconsciente não têm quaisquer fundamentos, e isso deve-se ao facto de a flora ibérica, mais concretamente portuguesa, nunca ter sido devidamente valorizada e aproveitada, reinando em quase todos nós, que crescemos no seio de plantas exóticas importadas,... sim, porque quando saímos das nossas casas, as primeiras plantas que vemos são precisamente essas, sem pôr de lado principalmente os citadinos, que as possuem em casa, "as variedades indoor",...


Mas o lírio-das-praias, esteve sempre a ali, nas areias douradas de norte a sul, com o gigante pano de fundo oceânico, e os seus companheiros também eles vistosos, claro!


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

cascalheiras do rio Febros

Pouco antes de entrar no Parque Biológico de Gaia, é possível observar os antigos depósitos fluviais deste pequeno curso de água, na margem erosionada direita,
 os calhaus redondos encavalitados uns nos outros e apertados pela terra enlameada.


domingo, 9 de agosto de 2015

vestígios de Javali


Nas margens de uma lagoa em Covão de Lobo (mas o predador que dá o nome à localidade já se extinguiu à muito) somam-se vários indícios de presença de javalis, Sus scrofa, ora não fosse uma das espécies com a mais rápida explosão populacional dos últimos anos. Mas, claro, tal não é motivo para começar uma perseguição louca e desenfriada a estes seres, mesmo sabendo que a sua carne é muito apreciada, e também pelo motivo que se deve ao grande aumento populacional e que está a servir como pretexto para precisamente incitar mais matanças, muitas das quais efetuadas com métodos cruéis, daqueles que costumamos ver em países em desenvolvomento e que tanto condenamos, nós ocidentais, aparentemente "super desenvolvidos" !
O javali é o nosso ícone, natural da região holártica, é um encanto vê-lo retratado em pinturas cujo pano de fundo é formado por bosque lendários e árvores centenárias ou num estilo mais medieval! O "tanque ibérico" como já ouvi falar algures, senhor de tantos tipos variados de florestas que precisa para responder à sua variada e rica dieta silvestre.

pegada.

sábado, 8 de agosto de 2015

Charadrius alexandrinus

Borrelho-de-coleira-interrompida

Nas dunas de Mindelo, sempre a olhar para os intrometidos veraneantes que negligentemente se aproximam demasiado dos seus territórios de nidificação! Uma salva para esta magnífica ave que tem de suportar isto ano após ano!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

glacial valley of Gerês


Vista diagonal do vale em U da direita (em cima) para o centro. E o destaque para os 3 vales que se unem no centro da albufeira da Caniçada.


O magnífico vale glaciar do Parque Nacional da Peneda Gerês:
Mais propriamente tratando-se de uma falha geológica (falha geológica do Gerês-Lovios), esta está relacionada com tensões que levaram a uma fraturação tardia, que cortou e deslocou os granitos da região. Tem uma direção NNE-SSW e é responsável pela deslocação dos vales dos rios Cávado e Homem e pelas nascentes termais da Vila do Gerês e do Rio Caldo. Pela plataforma de observação terrestre da google, esta falha evidenciam-se dentro da área do parque nacional, em uma linha reta perfeita. (fonte: http://www.icnf.pt/portal/ap/resource/ap/pnpg/brochur2013)
É um típico vale de perfil em U e moreias laterais evidenciando a ação de antigos glaciares. Há 2 milhões de anos, no Quaternário, ocorreram importantes variações climáticas que contribuíram para a formação deste terreno tal e qual como o conhecemos hoje. As glaciações então registadas atingiram as latitudes médias deixando marcas evidentes nas serras da Peneda e Gerês, como circos e vales glaciares. Este em particular tem um perfil em "U" em vez de "V" típico dos vales fluviais. Encontram-se ainda depósitos de materiais arrastados pelos glaciares, acumulações de calhaus e blocos, mais ou menos alinhados, designados por moreias. Formações geológicas de grande beleza natural e de proporções épicas, deixam o passado glaciar para trás, para hoje se verem revistadas por uma rica e variada floresta, no caso deste vale, que lentamente se ocupou destes terrenos íngremes e húmidos. As elevadas quantidades de precipitação que se fazem sentir ao longo do ano com maior incidência no Inverno, fazem o verde predominar, verde das grossas capas de musgos de diferentes espécies que se acantonam nas penedias e por todo o material lenhoso e ritidomas. Almofadas musgosas como lhes costumo chamar tal é a grossura dessas capas. Diferentes espécies de briófitas sucedem-se por todos os substratos encavalitando-se umas nas outras. 
Relíquias de uma época mais quente (terciário) e anterior á formação deste vale como seja o azevinho Ilex aquifolium e Prunus lusitanica, encontraram lugar lado a lado ou quase lado a lado com os medronheiros Arbutus unedo por exemplo! Medronheiros possantes e maciços na serra da preguiça, tão antigos e tão maravilhosos,...
Estas três árvores, com especial incidência para o azevinho proliferam pela manta florestal, ajudadas em muito pela dispersão dos vertebrados. A imagem abaixo é alusiva desse aspecto, em que as sementes das bagas passam pelo trato digestivo do animal quase intocadas. Fotografada no local num trilho de acesso ao alto da serra do gerês.


 Digo azevinho, porque foi a árvore com regeneração mais abundante que observei ao nível de pequeninas plantas, pequeninas árvores indicadoras da complexidade tridimensional destes bosques.



O jovem Erithacus rubecula, começa a entoar o seu leve canto, e tal como os adultos, não é muito tímido e aproxima-se, curioso! Afinal, os genes dos adultos destemidos transmitem-se em força, aliado a isso uma terra como esta com pouca perturbação e sem caça. (pisco-de-peito-ruivo)



Um dos maiores fetos-comuns Pteridium aquilinum que já havia visto, com mais de 2 metros de altura e frondes largas e grossas, em zona de meia sombra, cresce desmesuradamente!. Em muito contribui os férteis solos e a abundante precipitação bem como as condições micro-climáticas do local. A par da Culcita macrocarpa e de Osmunda regalis, são as maiores pteridófitas da península ibérica.


Argynnis sp.

Hemiptera sp.



Os cursos de água que se encontram no rio principal, o rio que dá o nome à famosa vila, encontram-se todos com o caudal muito reduzido, ora não estaríamos no início de Agosto!, pequenos fios de água refrescantes que descem os seus cursos habituais mais silenciosamente. Novas áreas ficam expostas com o abrandar das correntes, criando uma nova série de micro-habitats temporários para invertebrados e anfíbios,


Feto-real Osmunda regalis a cerca de 800 metros de altitute.


Os dípteros de imensas espécies, são como seria de esperar super abundantes, por aqui. Com as suas colorações intrigantes e tamanhos diversos, surpreendem-me!


Panaxia quadripunctaria

Lacerta schreiberi, lagarto-de-água juvenil


Acer pseudoplatanus




 Acima, um achado curioso num tronco de um medronheiro: uma imagem de um percevejo Hemiptera que tem um disfarce peculiar, e mimetiza as formigas pretas, que também se encontram por perto (imagem esquerda), pela imagem desse percevejo, deduzo que não tem asas, ou reduziu-as na evolução para se assemelhar cada vez mais às formigas. Até o seu movimentar é em tudo semelhante a elas, com movimentos rápidos e aleatórios seguidos de paragens bruscas e imóveis. Mas porque terá adquirido este mimetismo? Terá no seu ciclo de vida alguma relação com as formigas? Parasitária?, ou será simplesmente a velha e clássica história de ludibriar os predadores? Qualquer que seja o motivo ou os motivos (porque nunca existe um isolado), é um inseto fantástico que retrata muito bem até onde os invertebrados são capazes de ir, mesmo relações que à partida para nós parecessem estranhas, "é como se uma vaca se disfarçasse de cavalo!". Isto é, estamos a falar de hemipteros (cima) e himenópteros (esq.), mas não é novidade porque existem imensas relações deste género em outros grupos de insetos, uma mosca que emita uma vespa, uma borboleta que imita uma vespa, uma lagarta que imita uma centopeia, e por aí fora!...


Bosque de Prunus lusitanica com imponentes Quercus robur

Para mais informações sobre este vale consultar "A glaciação plistocénica da serra do gerês"  http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/2000-69/69_03.pdf

by Rui Faria- in north of Portugal
(todas as imagens deste blogue são registadas por mim, Nikon P600)