sábado, 19 de dezembro de 2015

Observar e Absorver (natureza)


Partindo à descoberta do coração dos lugares selvagens, com pouco mais que um simples equipamento, que me vai permitir registar aquilo que ali irei ver, mas sempre sem saber o que de facto irei encontrar. Lugares remotos, atrevo-me a dizer, mesmo lugares pequenos e com acessos, calcorrear caminhos facilmente e trilhos intemporais, de olhos postos na paisagem vegetal, o primeiro elemento que se mostra sempre e juntamente com a geologia. Olhar de cabeça baixa e procurando flores, parece desadequado no aproximar do equinócio de inverno, mas olha que as há, e que flores vistosas são essas dessas espécies já tão conhecidas por mim... No fim, é como se me maravilhasse de novo com essa flor, apesar de a ter visto centenas de vezes, é como se tivesse um ar diferente, um tom de cor diferente, mas também um porte diferente e variável influenciado pelas características microclimaticas e geomorfológicas do local. Começando de manhã na descoberta e na visão do espaço que me deixei levar, paro em cima de um rochedo, e contemplo, penso e imagino na formação florestal, nos contornos dos montes encavalitados, nas linhas das encostas, na forma própria das montanhas e o seu desgaste temporal. Imagino muitas vezes um pequeno montículo de areia numa praia, desgastado pela rebentação, e transponho esse exemplo de erosão para uma escala gigantesca que é esta que vejo agora, para assim muito facilmente perceber a erosão que estas montanhas sofrem no decorrer das eras.
Então contemplo novamente, sentado no penedo, e gentilmente olho de um lado para o outro... Absorver, mais que o ar que respiro, mais que o calor ameno, mais que o vento leve e suave, absorver... Ás vezes sinto que me faltam palavras para interpretar a visão do espaço, e os aromas que se conjugam, bem como os calmos sons da biodiversidade...


by Rui Faria

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