terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Bravio no tempo




Nas histórias do tempo, perde-se num mar de histórias, contadas pelo próprio tempo, contadas por um sábio, que as absorve, que as digere, e que as prende nos confins de sua mente. Os dias passam iguais, mudam os cenários, muda o clima, as nuvens são iguais, mas os contornos diferem! Acima e abaixo, dois mundos que não se tocam, mas que precisam um do outro, do calor, que emana o universo, ou do frio que irrompe da noite, sob o brilho das estrelas omnipresentes. Momento em que há-de chegar a escuridão que fechará o momento estagnado desta imagem. Com a tarde, as encostas se ensombram nas costas do pôr sol descendente, criando arrepios do frio que se vai instalando e da áurea que se apodera de nós no desabar da tarde! A paleta de cores, quentes, se instala, e voando, voando, em sonhos eternos, em sonhos pelo mundo natural e as terras bravias. Mas vem a falta da fauna e pelos animais que se perderam, e que nós os perdemos, e pelas paisagens que vão seguindo vazias, quase sem sons, quase sem vultos nem sombras, nem presenças de tais animais possantes! 
Se bem que as aves, ainda nos brindam, sem timidez com os seus cantos melodiosos na manhã ensolarada, e nos poisos, e nos seus poisos!
São histórias que continuam por todo o redor, por todo o lado, e em toda a parte, muitas histórias já tiveram fim, outras têm o livro aberto, outras dependem de nós, e nós não lhes podemos dar um fim!
E novamente a imagem, que aperta, que aperta e estrangula as cores, deixando o preto e branco para já! Levando a humidade, as nuvens, para longe, para lugares incógnitos, para lugares,... quem sabe, para lugares, é certo, mas para lugares, simplesmente!
E depois desço a encosta escura, com o olhar nas estrelas que se pontilham no alto céu astrológico, com o olhar nelas e elas em mim, e a lua já nem sei dela. porque miro os montes sem fim, porque miro as encostas à minha frente e o caminho longo que tenho de percorrer de regresso, e com o dia que se foi e a noite se instala. A leve brisa continua a arrepiar, e embora queira ficar por aqui, terei de ir embora, terei de descer a encosta no manto escuro, e das árvores apagadas. A solidão é marcante e profunda, no silêncio acompanhado pela brisa, e só os passos acordam na realidade, do caminho que percorres, não, que percorro! Noite, estrelas, brisa, e uma imensidão de montes e montanhas, os altos dessas montanhas e as suas encostas suaves ou abruptas, mas no norte, acrescento ainda a estas palavras o granito. Geologia, marcante das paisagens nortenhas, geologia peculiar, curiosa e engraçada! Histórias de uma vivência melancólica de um descer de encosta peculiar e único.

by Rui Faria


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