sábado, 21 de novembro de 2015

serras do alto minho





Bravura e paz, com esperança de alcançar o estado puro da natureza, e na montanha vaguear em busca de um presente existente, em busca daquele pedacinho que me falta ou para completar o que já tenho. Experiências não são demasiadas, e a sabedoria vem sempre com elas. Solidão às vezes impera, mas a saudade de cá e lá é forte, a saudade daquilo que nos marca também, mas isso nunca se apaga. Tudo se entranha neste ambiente, os raios solares baixos do sol que se põem mais rapidamente, no outono, que aquecem a face, e iluminam rasteiramente, as encostas, mas também deixam na sombra outras tantas, guardando aí as gotas do orvalho matinais. Visivelmente aos nossos olhos como cristalizadas, essas gotas frias depositadas por entre as plantas, e por entre os trilhos e caminhos.
Sem árvores, a serra agreste é fustigada por tudo, por todo o tipo de fenómenos naturais e só há abrigo junto dos penedos graníticos.
Pernoitar no frio montano, e absorver os sons silenciosos da noite, oh, que experiência maravilhosa e enriquecedora, oh, que horas bem passadas a contemplar as estrelas brilhantes lá no céu, que regalam  os nossos olhos, uma paisagem tão bonita e maravilhosa, escura, mas brilhante.
Mas antes da noite continua o lento instalar da escuridão, e o frio, oh, este frio montanheiro tão agradável, e que se entranha no corpo!
Mais uma vez num estado puro e simplista, caminhando pelo trilho dos herbívoros ou a corta-mato, mas indiretamente contemplando o pano de fundo serrano, que regala a mente, e me diz que mesmo na presença delas, dessas serras, aqui estou eu do lado de cá, mas junto delas. Faz sentido? Talvez, mas é melhor ver de longe do que nunca ver, é melhor sentir, do que nunca sentir, e é melhor ter, depois perder, do que nunca ter tido! Bem, isto já saiu ao lado da montanha, mas está presente em todas as formas e sentidos da vida, sentimentos e coisas. 
Porque nunca se esquece que a natureza, assim chamada, ali está, sempre de braços abertos. Com uma panóplia de segredos guardados, que só os mais tenazes os desenterram, que só os viajantes que percorrem recantos uma e outra vez, que se sentam e contemplam, que apreciam, e que vivem, num estado real os descobrem. Olhar e ver, sentir e tocar, mas nunca ser olhado, disso podem esperar, disso posso esperar, aqui, neste alto de montanha, ou num qualquer alto.   

Serras do Alto Minho.
by Rui Faria

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