quinta-feira, 19 de novembro de 2015

liberdade da montanha


Na montanha, vejo que as encostas se debruçam pelas linhas e matagais, envoltas na liberdade, liberdade de uma paisagem solitária e vazia, paisagem silenciosa e ventosa, paisagem vasta, grande e incrível. Correr por estes lugares descendo a encosta e saltando de rocha em rocha é uma experiência nostálgica de comunhão e paz com a terra e a natureza. Sentindo os elementos no corpo e na mente, e viajando para um lugar onde à muito nos desabituamos de ver e sentir, prazerosamente e sem segundas intencões, trabalho ou lazer. Porque procuro o sossego da montanha acima dos vales? Porque o silêncio destas paragens é arrebatador? ...
Não sei, e sei, porque só solitariamente se consegue compreender às respostas profundas e às perguntas várias. Sentando e reflectindo, apreciando cada ser vivo e cada planta e mesmo as texturas do meio orgânico e inorgânico.
Às vezes sento-me e observo, e entranho, desligando-me do tempo, mas presente no espaço. E depois? Depois, exploro, exploro recantos aqui e ali, procurando o novo, um inseto que nunca vi, ou uma planta com um porte diferente, ou uma fotografia única com uma textura bizarra, ou mesmo acasos da natureza e do meio. É assim resumidamente que  me maravilho nas terras altas, sem perturbar, mas antes fazer com que pertença ao local e senti-lo profundamente e respeitá-lo! Deixo pegadas, mas levo memórias, deixo a respiração mas levo experiências, mas no final deixo esses lugares porque assim tem de ser. . .

by Rui Faria
na serra do Marão.
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