domingo, 11 de outubro de 2015

Montanhas de Portugal



   Por montes e serras longínquas estende-se Portugal, gigantescas lombas aos socalcos e encavalitadas umas nas outras, desde o litoral até ao interior remoto, montes aplanados, montes suaves, montes altos e montes pequenos, todos mirando uns e outros, e os que por estarem em maiores altitudes abarcam outros maiores.
No alto da serra do Marão vejo terras do único parque nacional português, para sul o imponente maciço central da elevação mais alta de Portugal.
Aqui no Marão, as nuvens parecem suspensas sob uma esfera invisível, deslocando-se como que em carris, impelidas pelo ar, pela atmosfera, e pelo território, e consequentemente pelo globo.




E novamente por montanhas de vertentes íngremes e alguns penhascos, que se perdem em abismos de cortar a respiração, e por um estrato geológico marcante, diverso, e tão bem saliente, o  granito!, caracteriza tão belas paisagens, granito que se deixa levar tão facilmente pela erosão dos elementos e que se apresenta polido em contornos curvados e redondos.
Também as plantas dilaceram a rocha no passar do tempo, abrem fendas, fazem refúgios e refugiam- se a elas próprias, das perturbações do mundo livre.
Montanhas, tantas e tantas vezes incineradas por fogos, que devastam tudo, todos iguais e depois da ignição, naturais.
Montanhas frias e geladas no advento do inverno, e nubladas e chuvosas, e húmidas, esvaziam as águas que recebem por todas as direções até aos vales, utilizando os riachos, regatos, ribeiros e ribeiras, e rios que as ajudam nesse percurso. Um percurso, por norma, com intenso tráfego do precioso liquido, sempre atarefado na sua viagem monótona, e sempre com aqueles ruídos cintilantes da passagem da água pelas rochas, pedras e pedrinhas, e ruído que aumenta ou diminui consoante os obstáculos que essas vias aquáticas encontrem pelo caminho.
Pegos, remansos e diques abrandam as águas, e a vida selvagem prospera, enquanto que quedas de água abruptas, das mais altas da península ibérica, ribombam ou circulam as potentes águas que se precipitam nos abismos, grandes ou pequenos, prolongando um som grandioso e forte, mas também originando, consoante a força da correnteza, ventos ou brisas no sentido jusante e ao sabor da corrente. Nada como apreciar uma das mais imponentes, a Frecha da Mizarela na serra de Freita, e se embalar por um fenómeno natural portentoso, e ali, apenas ali , sentir a união do rio, da encosta e do estrato florestal de Quercus pyrenaica.




E é por essas serras, que nós portugueses, continuamos a nomear, chamar ou designar assim, porque transmitem, um estado de natureza ainda pura, e paragens inalcançáveis ou remotas, sossegadas, onde o silêncio é mesmo silencioso, e a nossa vida se esvai, e somos parte daquilo que vemos, e parte daquilo que respiramos, interligados por um caleidoscópio microscópico até a imensidão do cosmos.

Serras ou montanhas, consoante a região, também falam de monte ou montes, mas que importa a designação! só importa a elevação, só importa a altitude e a vastidão.
Terminando com a palavra montanha, só deixo a ânsia de lá voltar, de lá dormir, de lá descobrir, me aventurar, trilhar e perscrutar. Imagens, cenários, cores e muito, muito mais!

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Primeira imagem: do Marão, avisto terras do parque nacional!
Segunda imagem: do Marão para sul, avisto a serra da Estrela!
Terceira imagem: do alto da serra da Boneca, abarco as serras graníticas e xistosas 
a sul do rio Douro!

by Rui Faria



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