sexta-feira, 2 de outubro de 2015

mãe natureza?


Natureza, desmontada em várias palavras, surge-nos num significado, muito mais amplo do que aquilo que é aparente, mas porquê mãe natureza?, quando na verdade é um conjunto de microorganismos ligados por uma corrente universal espalhada e abraçada, e que abraça o mundo! Uma teia interligada com uma aranha no centro, pensamos nós, mas antes uma teia sem dono nem líder, onde tudo se conjuga, onde tudo está interligado, e mesmo, quando a ganância humana faz desaparecer peças ou fios dessa teia, as interligações continuam a existir, apenas por fios maiores ou mais compridos. Certo que muitos desse fios acabam por sofrer rotura, algo que é inevitável em relações interdependentes. Pelo que o ser tem duas alternativas: ou extingue-se ou adapta-se, mas para muitos a extinção é o caminho mais rápido, fácil ou inevitável, mas não podemos esquecer dos tenazes, dos que enfrentam as intempéries, dos que resistem, fortes! Dos, que tal como a suposta aranha, quando vêem os seus fios quebrados, tecem outros!
Mas as paisagens ficam, com o sabor do tempo, sempre esventradas pela vida dos diferentes reinos, moldadas pela flora, e fomentadas pela ajuda e perpetuação da atividade da fauna.
Um pequeno pássaro, atraído pelas bagas reluzentes encarnadas, daquela bela árvore, vai ser o maior silvicultor, o mais honesto, pois as bagas encontraram boleia, boleia para outras paragens, outras terras e aí, enriquecer e aumentar de várias maneiras a biologia da dita árvore. Uma relação dependente, que não deixa escapar qualquer recanto que ainda não tinha sido vegetado. É como revolver a terra, e descobrir dias mais tarde, plantas a crescer, voltar a revolver a terra e o processo repete-se, pelo motivo em que estamos num momento do tempo em que não hã recanto nenhum que não seja dominado pelos seres vivos, e pouco a pouco estes espalham-se como um vírus mortal, mas benéfico, envolvendo as áreas inóspitas. Ora bem, os primeiros, os mais fortes, fixam-se, criando segurança e condições melhores para os seguintes, e seguindo por aí fora em patamar ou pirâmide, até chegar ao último ser, que tem a vida "facilitada", e aí voltando ao tema do meio, as coisas podem descambar, quando se vêem um ou mais patamares serem retirados dessa pirâmide, ou delapidados.
Mas, o Homem, não é o único interveniente negativo, ou positivo, como lhe queiram chamar, também, os próprios fenómenos naturais inevitáveis, podem deixar marcas nesses patamares, ou fazer derrubar a pirâmide por completo deixando, tristeza, sofrimento e um mínimo de esperança ou uma réstia.
Mas se os acontecimentos não abalarem a estabilidade, como é que os seres evoluem? A estagnação pode causar problemas a longo prazo e matar o que o primeiro ser, o primeiro ser tenaz, construiu, a ferro e fogo! Por isso a mãe natureza, dilui-se num mundo complexo, grandioso e fascinante, sempre infinito até à evaporação das coisas, materiais e imateriais!, orgânicas ou inorgânicas, vida ou morte!...

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31/3/2014, Paisagem adorável do vale do rio Tua, em breve danificada para sempre em nome do desenvolvimento humano, que para fomentar a crescente procura de electricidade, se deixa perder um encanto, moldado, desde os primórdios. Será que vai valer a pena? Será que cairá no esquecimento, derivado á distância que separa este vale das grandes metrópoles portuguesas, que tanto condenam ou apoiam este empreendimento?, a barragem de Foz Tua! e o rio nunca mais voltará a ser o mesmo!
by Rui Faria

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