quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A folha húmida


Oh grande carvalho, que deixaste cair essa tua folha, que deixaste ela sentir as águas,  a sua cristalinidade. Castanha e de nervuras rijas e pronunciadas, ela se esbelta para nosso prazer, banhada por aquele liquido que a atravessa, que se atravessa no seu caminho, riacho límpido e sereno que segue caminho encosta abaixo, acompanhado pelas árvores incrustadas nas margens. Líquido transparente, que me fazes ver essa folha tão nitidamente, e tão profundamente, que me deixo envolver nessa pureza encantada, de um bosque milenar, e de uma natureza selvagem, e de um correr dos dias que passam, dos dias que passam pelas estações, e as estações que seguem com os dias. É o castanho daquela folha de carvalho, ali parada e imóvel, estarrecida pelo precioso líquido, belo e puro. Pedrinhas encartadas, sob essa folha, de arestas agressivas, e escassamente polidas, porque o riacho é calmo e as pedrinhas são rijas e mais geométricas. Uma composição de tons castanhos tipicamente outonais, que dão um ar de sua graça, e tão simplesmente, de tão simples e bonita que é, apresenta-se assim!

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