terça-feira, 1 de setembro de 2015

Quercus pyrenaica em Loures



Já sabia da sua ocorrência por estas bandas, mas vê-lo aqui é estranho!! Foi para mim uma grande surpresa encontrar no alto desta serra panorâmica o carvalho-negral. Mais precisamente em Montemor, Loures!
 A vista (seguindo o post a face do líquen) abarca um vasto território do distrito de Lisboa, apenas impedida para oeste por causa das densas plantações de eucaliptos. Mas voltando ao tema, um punhado de pequenos Quercus pyrenaica vegeta por entre os penedos do alto deste monte, num habitat constituído por Quercus faginea, Rhamnus alaternus, Olea sylvestris ou pela Phyllirea angustifolia entre outras e várias espécies arbustivas num mosaico muito aberto devido a um incêndio que deflagrou, se não estou em erro em 2012, a última vez que por cá vagueei.
 Tradicional e abundante no interior do pais é notória a sua adaptação a essas terras frias, mas por sua vez tão quentes! Então que corredores utiliza o carvalho-negral? Pela pesquisa que fiz parece haver um ramo de distribuição que se separa do interior, segue pelo centro, até parar na estremadura, interessante não é?
Mas cuidado que o carvalho-negral também vagueia pelas dunas do litoral nortenho e não se importa com o ar salgado e dos ventos do imponente oceano atlântico, vá-se lá saber como é que chegou aqui ,ás terras do rei Quercus robur! Isso fica para futuras histórias, penso que ainda não o referi!

Mas agora entrando noutro caminho, foi aqui que realmente percebi como os incêndios podem ser benéficos, e atenção que não estou defender os incêndios nem a incitar a sua prática, mas antes compreendi que um fogo esporádico, e refiro-me a este local em concreto, permite o aparecimento de muitas espécies botânicas difíceis de encontrar, e que a meu ver parecem depender precisamente daquilo que tanto tememos e repudiamos, os fogos. Após o fogo que deflagrou naquela altura vi um mar de abróteas rebentando por toda a encosta, e um sem número de flores de variadas espécies diferentes, inclusive orquídeas, à pois é!
Mas querem saber uma coisa, hoje algumas partes destes montes, estão com um coberto vegetal extremamente denso que já asfixiou todas aquelas plantas diversas, substituídas em maior parte por uma composição arbustiva mais homogénea. Então a única maneira seria um deflagrar de um novo fogo para brotar nova vida como uma primavera que antecede o verão, mas certo é que também estamos a esquecer a influência dos grandes herbívoros que já não mais existem por aqui, (talvez em excepção os javalis) e que por certo dinamizariam muito mais a paisagem local.
Certo que já se aperceberam que o meu foco acaba sempre nos grandes herbívoros e a sua interação na paisagem, mas eles são ou foram elementos chave na mesma! Contudo é preciso ter noção que muitas plantas e outros animais terão desaparecido, ou têm desaparecido, pelo motivo que a atividade dos grandes mamíferos cessou! A nossa (atividade) é demasiado destrutiva e chafurdada, beneficia plantas cosmopolitas e ruderais, mas as especialistas acabam por morrer!

Quercus pyrenaica - pequena árvore

Quercus pyrenaica - face inferior da folha

by Rui Faria, até breve com as bonitas ou razoáveis histórias!




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