sábado, 15 de agosto de 2015

pinheiro C


Já é sabido que as dunas holocénicas foram florestadas sucessivamente por um ideal de um povo que já não mais existe mas que ainda vive escondido entre nós. A necessidade de fixar as areias e a vontade para o fazer foram de tal maneira grandes que resultou em dezenas de milhares de hectares de plantações no que outrora foi um deserto. Um feito que bem poderia ser motivo de orgulho para aqueles que dificilmente conseguem encontrar ou não querem, motivos para amarem o seu país!, pleno de maravilhas naturais.
E as dunas holocénicas, portanto? O que de especial têm? A sua vastidão, o significado da sua conquista ao mar e a ampliação da linha de costa, e outros,...
  É, possivelmente um dos únicos exemplos a nível mundial de um habitat pobre e desértico, ao ser transformado numa zona verde mais rica e biodiversa, mas nem todas as matas atingiram a riqueza e a biodiversidade que os naturalistas esperariam, e se por um lado temos a magnifica reserva natural de são jacinto (R.N.D.S.J.) com a sua flora diversa, ou a mata de Leiria e de Quiaios, por exemplo, temos do outro lado, a ganância (talvez seja uma palavra forte) que levou a fixação de espécies exóticas como as acácias e chorões, que vai ganhando terreno, nestes terrenos favoráveis que são as dunas. 
Vou-me situar por exemplo na mata gigantesca de Quiaios, num talhão aberto com um aspeto muito natural, de matos diversos e pinheiros isolados, imaginando como seria este lugar sem as plantações antrópicas- um vasto deserto de areias douradas estende-se longínquo em todas as direcções, grandes montículos de areia dourada a que chamamos dunas dispostas de tal maneira enfilada ou em fila que só do ar se apreciaria todo o esplendor de tal formação! Pequenos oásis de vegetação, como pontos pulsantes, emergem por entre o mar de areia e as árvores seriam relíquias, uma bênção para um hipotético viajante sedento, descansar à sua sombra num dia de calor abrasador.

Claro que toda essa belíssima paisagem ficou entupida pelas plantações, até quando nós considerarmos que vale a pena mantê-las, a partir daí, só me resta a mim, procurar o que aqui se fixou, as aves, os insetos, a camarinheira, e os bonitos fungos de outono! Maravilha!

E quase me esquecia de foto acima - a natureza, mais uma vez em jeito de brincadeira, vai-me fazer contorcionismo no tronco deste pinheiro! Hehe! Porquê?  Recuemos até ao dia em que ainda era um pequenino pinheiro exposto à força dos elementos, e depois como num filme, aceleramos as imagens e voilá, sai um pinheiro C!

Obrigado a todos pelo apoio!
by Rui Faria


Enviar um comentário