domingo, 30 de agosto de 2015

eu / iberia e a leuzea longifolia



Continuo pelos montes de Portugal em busca de animais e plantas, ao sabor das estações e do clima, o que encontro em cada época diferencia-se, destaca-se! Depois de ter vasculhado e estudado milhares de locais por todo o país, com maior incidência na zona norte e centro, é cada vez menos frequente aquela magia de encontrar um habitat novo! Mas por cada habitat novo que encontrava vinha sempre um "uau" ou "caraca" muito usado pelo povo brasileiro, mas que expressava a minha alegria em encontrar lugares, que no seu todo são prístinos ou que estão ainda a o ser! Mas talvez esteja a ser um pouco preguiçoso nesta escrita, porque a verdade é, que em cada percurso que faço, abre-me caminhos para outros tantos. Quem me conheçe sabe que tudo aquilo que conquistei e descobri foi á boleia de uma, a duas bicicletas, que me levaram para um mundo de liberdade e altamente prazeroso, nada fácil de explicar em pleno para aqueles que pela primeira vez me perguntam. Mas as duas rodas estão em segundo plano, são apenas um transporte, e que graças a elas foi-me possível encontrar muitos recantos que de outra forma ou transporte seria impossível. O estudo e o registo documental de seres vivos ibéricos e formas geológicas é meu principal foco, ainda que o considerem amador. Mas que vai evoluindo e se consolidando com o tempo! Sou generalista, e o mundo natural para mim, mostra-se num grande puzzle, se bem que hã alturas em que estou mais seletivo ou concentrado, como agora, na flora, procurando raridades e preciosidades botânicas, mas sobretudo tenho agora uma visão diferente da distribuição de certas plantas. E é aqui que entra a Leuzea longifolia, uma planta que vim primeiro a conhecer pelas mãos da micro reserva da Quercus em Leiria, mas que devido a um esforço de conhecimento de novos locais acabei por descobri-la (ou redescobri-la) em duas novas populações para norte , Cantanhede e Vagos respetivamente. Mas não é só, porque tem várias conclusões, algumas das quais não vou mencionar aqui, mas uma delas é que , assustadoramente, é a forma como as plantas se tornam raras, como desaparecem da vista e dos locais noticiados e referenciados por aficionados desde sempre, e não são mais ou menos interessantes pelo facto de o serem (raras). Mas claro, e porque é que algumas são mais bem sucedidas que outras? Isto é, porque a Erica scoparia prolifera e a Leuzea espalha se em grupos de algumas dezenas de indivíduos?, quando partilham os mesmos locais ou o mesmo tipo de solos e composição florística.
É preciso também reflectir no tipo de terreno, olhar bem para ele e deslindar se houve alteração do solo, e até que ponto! E depois juntar-lhe em pensamento, elementos já extintos como os grandes herbívoros. Em facto, é isso que eu faço na altura de captar imagens no estado natural puro!
Dezenas de milhares de hectares de eucaliptais e casario, tornam a tarefa hercúlea, mas faz-se o que se pode!, com muito amor e dedicação!


Leuzea longifolia /Cantanhede

by Rui Faria - porto/Portugal

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