sexta-feira, 26 de junho de 2015

Vale do couce


Na região de Valongo, no distrito do Porto, o vale mais curioso que já alguma vez visitei, e que de várias maneiras retorno vezes sem conta pela relativa proximidade em que resido e pelos fáceis acessos. Posso dizer com toda a certeza que é o lugar que mais vezes percorri, centenas e centenas de vezes, e no entanto a sensação e também realidade é a de que nunca hei-de descobrir todos os recantos magníficos deste vale extraordinário. A febre dos eucaliptos, mas também o uso excessivo de papel nas nossas vidas (que também é culpado!) deixou marcas profundas nestas encostas, não só pelo facto de apenas se plantar aquela árvore, mas como alterar a configuração dos solos por meio de socalcos, método esse que nem as encostas mais acidentadas escapam!. 
Mas, e é um grande mas, ainda existe bolsas enormes de vegetação interessante e de carácter mediterrânico como os sobrais, medronhais ou sobral-medronhal, pinhais e nalguns pontos específicos alguns adernais de Phyllirea latifolia, dos quais, destaque para alguns exemplares arbóreos, "tão crescidos" como os do Buçaco.

Phyllirea latifolia - Margem esquerda do rio ferreira.

De resto os matagais de algumas escassas espécies como as urzes, tojos, Genista sp, e fetos-comuns, entre outros completam a paisagem ou as bolsas mais íngremes poupadas à eucaliptização, ou áreas simplesmente esquecidas. O debate dos incêndios, é para mim um assunto muito complexo, que não o vou referir aqui, apesar de ter modelado, só por si próprio a vista aérea deste lugar, e basta apenas reflectir que possuímos uma incrível variedade de flora endémica "indestrutível" aos, e "apreciadora" dos fogos ou incêndios como o sobreiro por exemplo, o caso mais notável da fantástica adaptação do seu tecido ritidomal, a que chamamos cortiça entre outros fantásticos exemplos,...
Até à próxima! Rui Faria


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