segunda-feira, 22 de junho de 2015

cores, encosta, douro


 Logo a jusante da barragem de crestuma, são frequentes as vezes que vou em busca de recantos naturais nas margens do rio Douro. Não é fácil tirar imagens com quadrantes naturais, como se tivesse no douro internacional, porque aqui as exóticas proliferam, seja os eucaliptos que descem as encostas, seja as acácias que lutam por espaço com os escassos salgueiros na margem. Em todo o caso, um olhar atento num dos pontos mais íngremes da margem do douro como referi no primeiro ponto, logo a jusante da barragem de crestuma na margem direita, pude dar de caras com um gigantesco freixo, Fraxinus angustifolia, e um exemplar de Salix salvifolia, uma espécie de salgueiro que conhecia de rios muito mais a montante, mostrando que a flora não se rege por delimitações "políticas ou administrativas", e indicando preciosas reflexões no que toca ao micro-clima local e até a sua interacção com outras espécies ribeirinhas.


Prosseguindo então na escrita, subo uma parede íngreme a poucos metros do areal do douro e das subidas e descidas de maré. As escorrências de água das paredes rochosas sombreadas pelas árvores perenes exóticas, revelam um bombar de cores quentes como a das duas imagens acima, conferindo à pequena cavidade onde as encontrei um aspeto cavernoso melancólico. Ao que parece, será uma água altamente rica em minerais que forma esta coloração ferrugínea. Líquenes, musgos e fetos de variadas espécies também me regalaram os olhos e a máquina, e o Myrtus communis que se agarra ou se debruça sobre as paredes verticais fez o "clic" no meu cérebro acerca do tipo de bosque potencial que poderia vegetar esta encosta, mas isso como sempre fica para outra história, mas o que é certo é que eu acabo sempre por esquece-la ou colocar um ponto final fora do "mundo digital".

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