terça-feira, 11 de outubro de 2016

ciclo solar, sol pôr na Arrábida


Sempre que desceres, lembra-te, que aqui há terra, lembra-te que encontramos o paraíso calcinado nas rochas puras, encarcerado numa cúpula dura e cristalina, que encerra uma grande forma de cores, que o nosso olho permite sentir, viremos dizer de novo, que estarás de novo aqui amanhã, por volta das sete da manhã, para um clássico novo ciclo, para um novo feito, para repetir as cores de ontem, e a beleza do presente que jamais será esquecida, nem ignorada. Mas depois da tua luz se esvair em tons mais frios, o espetáculo continua, o jogo de formas efémero não para, e a luz perdura cada vez mais ténue, sobre a terra, sob o céu, e sobre o mar...
Por isso lembro-me que aí estarás amanhã, para um novo ciclo solar, e para iluminares o que quer que esteja para sempre iluminado...

                                                                   by Rui Faria, MR

domingo, 9 de outubro de 2016

salamandra-de-pintas-amarelas


Numa pequena cavidade húmida de um penedo na serra da preguiça, esta salamandra abriga-se do dia e da luz brilhante, tentando manter-se escondida, até à chegada da noite ou de uma grande concentração de humidade, aconchegada por entre as hastes das briófitas...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

os anéis do fogo


 Depois da queima e da carbonização, todo este tronco mudará a sua cor e textura, e se incendiará para sempre com as marcas negras, e dos sulcos do fogo quente, e das chamas em brasa, que consumiram tão alta árvore. Um pinheiro tombado à sua sorte, jaz na encosta, com o seu carvão estalado, dado que foi a única árvore afetada e tombada, aberta e partida, nos veios e anéis que a sustentaram, e alimentaram por dezenas de anos, tão vivo e vibrante ser... Se não fosse uma tempestade, um incêndio era certeza, se não fosse um vendaval uma chuva forte é tarde, mas se uma árvore tem de perecer, que o faça de maneira a que fique lembrada pelos olhares dos ares em volta...


by Rui Faria, MR,...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Pyrus bourgaena


O catapereiro, a pereira-brava autótone da ibéria mediterrânica, atingindo porte de grande árvore sempre que lhe é permitido, embora não muito frequente, compartilha o habitat com muitas outras plantas mediterrânicas perenifólias em geral, do qual faz parte do sub-bosque. Este da imagem foi encontrado na encosta de um pequeno monte de arenito, algures em A-da-Beja, resistindo por entre uma monocultura de eucaliptos, e invasoras lenhosas como as acácias. De notar a sua resiliência em relação aos fogos, precisamente o que este catapereiro da imagem viveu, à coisa de um, dois anos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

carvalho gigante da Lousã


Como um velho no jardim, rodeado de crianças e jovens, que ignoram o seu saber, mas fazem parte dele e da sua infância, da sua alma, como um velho que envelhece décadas, sem perder o encanto, absorvendo histórias, resistindo a temporais, revivendo a primavera, respirando a fonte oxigenadora montana, que engalana todas essas árvores jovens, mas que envelhece uma em especial, o velho e antigo carvalho-alvarinho, sem o mimo que necessita, nem da proteção de um solo rico, ou de um aconchego boscoso, mas também de sábios velhos, companheiros, que se tocam, que se exalam, que ricos são,... Mas não, é o carvalho isolado e sozinho, sobrevivendo, e aguentando, como aquele velho sentado, no banco de jardim, à tua espera...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

mosca dunar sem asas!


Esta é a Chersodromia squamata, uma minúscula mosca de apenas 1,5mm, que habita as dunas costeiras um pouco por todo o litoral atlântico. Para um inseto tão pequeno, o seu avistamento não é fácil, mas como outras coisas, quando se avista um, avista-se mais dois, o pior é quando se vê uma destas moscas, e logo se perde o rasto, dado o seu tamanho diminuto, e ainda mais difícil fotografá-la, não gosta muito de lentes. No entanto é de mencionar a sua fantástica adaptação a este meio dunar, no qual se destaca as suas asas minúsculas e não funcionais, tal como as pequenas patas das cobras-de-pernas, por exemplo. Como habita um meio tão ventoso e agreste, parece que as asas quase obrigatórias neste grupo, deixaram de ter utilidade, ou de embaraçar a biologia desta pequena mosca.
Dunas do Guincho...

by Rui Faria, MR...

domingo, 2 de outubro de 2016

cria, rabirruivo, destemida...


Tão pequeno, e tão leve e curioso, que esta pequena ave escura, me deixou nos olhos, e tão perto se aproximou, impávida e serena, qual certo, e qual espanto, qual cria atrevida, que se havia de me aparecer, brilhantemente, por aquela tarde nublada, e pela cerca fechada,... pelo litoral... por perto...


 by Rui Faria

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

the lonely seagull


Nas costas litorais, só um naufrago pode olhar para a imensidão do oceano e sentir medo, pela solidão que o deixa vazio, a cada dia e cada momento, em que a areia, é inevitavelmente contada até ao infinito, grão a grão, até levar à loucura, que só perdura, se ele abrir os olhos, e sentir a risca horizontal da serpente, ao se invadir pela tenacidade da sobrevivência, ou será para sempre um eterno naufrago, sentado na areia, escutando o mar, ou se deixar levar pelos raios solares, enquanto se deita violentamente na areia, e areia, e mar,... as ondas mudam, o mar está calmo, as ondas crescem, e o mar ermo, que batem a seus pés dia após dia...

by Rui Faria, MR

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vaccinium myrtillus


Uma planta interessante que se tornou rara em território nacional, confinada aos lugares mais remotos e longínquos das povoações, em geral, e com populações abundantes no parque nacional peneda-gerês.
Um parente afastado das urzes, da qual pertence à sua família, a Ericaceae, cresce nas florestas temperadas e húmidas da europa, daí que no nosso território, só a podemos encontrar em zonas montanhosas, em que beneficia de temperaturas baixas ao longo de todo o ano, e sobretudo, de uma grande quantidade de pluviosidade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

2 minerais, 2 corações


Procurei nos minerais, um sentido geológico pleno de perguntas do passado, interpretadas por ti e por nós, que sentido ininterrupto, e que caminho voluptuoso, que seguimos, e dormimos sob a luz dos cristais estrelares, sobre as pedras colossais, aquecidas por aquele sol quentinho da manhã, que faz ferver qualquer rocha estival... Ora desvendo o meu coração, estendido e compreendido, pela guarida tua, ora escuto o teu coração palpitante a cada segundo, e então, entendo, que são duas rochas do mesmo mineral, da mesma luz cristalina que ilumina qualquer algar, ou caverna pomposa de escuridão, ou outra qualquer coisa que a terra possua... Mas continuamos agarrados à rocha mãe, dois minerais ricos, e em bruto, duros, e antigos, mas brilhantes à exposição do ar terrestre, até que fomos encontrados, até que nos encontramos um ao outro, materiais da mesma liga, da mesma fonte, e que só a água nos fascina, para que amanhã sejamos um monumento natural de aprendizagem e de loucura "pacífica" mútua.

by Rui Faria, MR