terça-feira, 13 de novembro de 2018

Regeneração de Salix arenaria pós fogo


Acho que o tema fogo, nunca foi tão controverso como nos últimos tempos cá no país, e são centenas de estudos, textos, comentários em redes sociais, e bate bocas, um pouco por todo o lado. Uns na mesma direção em busca da verdade, ou melhor em busca da realidade, outros, debatem-se uns contra os outros, disparando mentiras e invenções, outros, são atacados sem dó nem piedade, na sua tentativa de desmistificação... Certo é, como as coisas andam, pelos vistos preferimos mesmo megaincêndios. Eu cá até os "dispensava" sejam grandes ou pequenos, mas o facto, é que eles aparecem mais tarde ou mais ou cedo, quer queiramos quer não, faz parte da paisagem, na nossa paisagem mediterrânica. Agora, sem dúvida, que se em vez de termos pequenos incêndios, cíclicos, bem "geridos" em vez de megaincêndios, as coisas já estariam bem melhor encaminhadas, e para esse ponto, já existem vontades e soluções, que creio fazerem parte do pacote de pessoas constantemente atacadas, como havia falado em cima. Como alguém disse não há soluções milagrosas, mas sim, é possível reverter o abondono das terras, e a falta de gestão, a que uma boa parte do país foi votado. Como faremos? ...

Por último e porque o elemento principal até seria o salgueiro-anão Salix arenaria, se não me desviasse numa intro de reflexão, mostro então, a regeneração de um exemplar numa vala da extensa mata dunar de pinheiros das Gandâras de Mira, em boa parte consumida pelos fogos de Outubro de 2017. Os meses passam, e o negro da vegetação, foi dando lugar, a nova vida, novos rebentos, novos desafios, mais biodiversidade?, e sobretudo uma paisagem diferente...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Os bullatus


Os primeiros Ranunculus bullatus já florescem por entre os lapiás calcários do interior das terras de Sintra. Sempre impressionante e espetacular, o simples facto de numa região onde as flores se obrigam à primavera, esta quebra as velhas regras, e floresce em pleno outono, quando a chuva copiosa é mais presente, e o frio tépido é seu irmão. Logo que cheguem os dias ensolarados da estação, a multiplicação dos bullatus far-se-á de maneira explosiva, em locais propícios e especiais, mas sempre no sopé da "rocha mãe", o senhor calcário.

sábado, 10 de novembro de 2018

O pequeno cogumelo azul das acácias


São raras as exceções no que toca a elementos exóticos na composição das imagens que faço, e esta é uma dessas. Ignorando as folhas da Acacia longifolia, e isolando este magnífico fungo, registo a imagem de vários ângulos diferentes, pouco me importando desta vez com a presença dos então supostos elementos exóticos. Mas é isso mesmo que a palavra exótico traz consigo, a beleza de outras paragens, que nem sempre se enxerga como devia ser.



E até as pequenas plântulas da exótica australiana crescem viçosamente às barbas de outros exemplares da mesma espécie do cogumelo em destaque. 
Se por um lado, a problemática de exóticas em Portugal pode ser um problema, por outro lado, são essas, que em certos casos, dão "casa" a numerosas espécies de seres vivos, ainda que o facto seja constantemente negado por razões diversas, e no entanto posso constatar que por vezes são até lugares mais "ricos".

A espécie é designada por Clitocybe odora. Identificação cedida por José Andrade.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Musgo globular dos interstícios


Para descansar no banco de madeira depois dos afazeres habituais da horta, mesmo por cima de pedras de calcário, que dispus aleatoriamente, de forma rústica e natural num pequeno pedacinho de terreno, que serve como plataforma de observação do espaço, e de apoio à horta e às plantas silvestres que aparecem sazonalmente, e que gentilmente acolho. Costumo lhe chamar a calçada romana, tão rústica, que por vezes com o nosso peso, elas saltam, e já nem se encaixam mais, deixando o tal interstício maior. É nesses interstícios rústicos e pisoteados que se desenvolve no inverno esta minúscula briófita, com um aspeto muito diferente dos demais musgos que atapetam troncos e rochas, mas que aqui ganham um espaço, onde se mostram esses magníficos globos em forma de "bufa".

sábado, 9 de junho de 2018

Centaurium, a flor rosada


Os taludes calcários de Montelavar são da preferência desta espécie de Centaurium, e como tal, gosta de se exibir em diferentes tamanhos, consoante a particularidade do solo, e a maturidade, tal como vemos na imagem. Não forma maciços grandes, mas antes, divide-se pelos prados de forma isolada, ou em grupos de escassos individuos. São várias as espécies deste género de flores rosadas atrativas, mas nem sempre fáceis de destrinçar. No entanto isso também pode ser empolgante e misterioso, porque dessa maneira, acabo por dar mais valor aos diferentes tamanhos e formas que acontecem naturalmente dentro desta mesma espécie, e que têm um reduzido interesse e valor taxonómico.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Lonicera, a primeira flor


Lonicera, e a sua flor, que desabrochou como a primeira, rodeada pelos abrunheiros, por esse espetáculo de flores brancas.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Madeira morta, entrada da xilofagia


Sempre procurei em cada zona florestal, um pedacinho de madeira morta, onde pudesse observar uma microfauna diferente, a chamada fauna xilófaga. Se no outono os cogumelos são os "frutos" de tais madeiras, na primavera, por exemplo, são os invertebrados de diferentes ordens que dominam a xilofagia.
Desde sempre a madeira foi um recurso muito utilizado, pelo que é "inadmissível" a presença de árvores mortas durante muito tempo, e sobretudo fora de áreas protegidas, bem como áreas de "gestão", em resultado disso, rareia, precisamente aquela microfauna que procuro.
Felizmente, já encontrei troncos mortos, em ambiente florestal de Quercus faginea, coisa rara, por estas bandas, e isso sim, é para mim uma preciosidade.
Floresta com árvores mortas, índice de biodiversidade maior!

A imagem acima, retrata, não uma árvore morta tombada, mas antes, morta de pé. Um pinheiro-bravo, que sucumbiu após vários incêndios. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Em breve, (deslumbrante vida selvagem lusitana)

Tenho andado ausente deste espaço desde à muito por várias razões, mas espero poder em breve aqui regressar, e partilhar, tudo aquilo que tenho visto nas terras bravias deste canto oeste da Wild Iberia...

De momento, entre outras coisas, tenho-me debruçado nas diferenças foliares dos diferentes carvalhos da Estremadura. A tenaz persistência do Quercus faginea, e presença fugaz do Quercus pyrenaica. A serra de Sintra é o solar dos carvalhos, uma reunião deslumbrante... etc.
Até breve...

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

castanheiro e o ribeiro


O castanheiro, em solos onde dominava o carvalho-negral, continua a ser um atrativo biodiverso. Os cogumelos são diferentes, bem como a fauna entomológica. A rocha, predominantemente de origem magmática, continua a ser delapidada, para engrossar, estes solos serranos.
Serra da Cabreira 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

ciclo solar, sol pôr na Arrábida


Sempre que desceres, lembra-te, que aqui há terra, lembra-te que encontramos o paraíso calcinado nas rochas puras, encarcerado numa cúpula dura e cristalina, que encerra uma grande forma de cores, que o nosso olho permite sentir, viremos dizer de novo, que estarás de novo aqui amanhã, por volta das sete da manhã, para um clássico novo ciclo, para um novo feito, para repetir as cores de ontem, e a beleza do presente que jamais será esquecida, nem ignorada. Mas depois da tua luz se esvair em tons mais frios, o espetáculo continua, o jogo de formas efémero não para, e a luz perdura cada vez mais ténue, sobre a terra, sob o céu, e sobre o mar...
Por isso lembro-me que aí estarás amanhã, para um novo ciclo solar, e para iluminares o que quer que esteja para sempre iluminado...

                                                                   by Rui Faria, MR